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ObservatórioAstronomia

Aglomerado aberto

Aglomerado do Pato Selvagem

Um dos aglomerados abertos mais compactos e ricos conhecidos, no Escudo, a 6.000 anos-luz, recortado contra um campo estelar denso da Via Láctea.

Aglomerado do Pato Selvagem, aglomerado aberto, em imagem do MPG/ESO 2.2-metre telescope
"The Wild Duck cluster", como o acervo nomeou esta imagem.O Wide Field Imager (WFI) no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros no Observatório de La Silla, no Chile, fez esta bela imagem do aglomerado aberto do Pato Selvagem, Messier 11, ou NGC 6705. As estrelas azuis no centro da imagem são as estrelas jovens e quentes do aglomerado.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO CC BY 4.0

Tipo
Aglomerado abertoSIMBAD: OpC
Distância
6.000 anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem, em 2019
Constelação
EscudoSct
Tamanho no céu
8,9 minutos de arcoextensão catalogada no SIMBAD
Observado por
MPG/ESO 2.2-metre telescope, Hubble Space Telescope
Imagem publicada
outubro de 2014
Original do acervo
8.966 × 6.473 px58 megapixels

O Aglomerado do Pato Selvagem, catalogado como NGC 6705 e conhecido também como Messier 11, fica na constelação do Escudo, a cerca de 6.000 anos-luz segundo a distância declarada pelo publicador da imagem. Ele ocupa 8,9 minutos de arco no céu, menos de um terço do diâmetro aparente da Lua cheia. É um aglomerado aberto, mas com uma característica que o afasta do padrão da categoria: a concentração de estrelas no centro é alta o bastante para lembrar, à primeira vista, um aglomerado globular pequeno.

O apelido nasceu de uma comparação feita no século 19, quando um observador descreveu o arranjo das estrelas mais brilhantes como um bando de patos em voo, na formação em V que essas aves adotam. A impressão depende bastante do instrumento e do enquadramento, e em imagens modernas com muitas estrelas registradas a figura se perde. O nome ficou mesmo assim.

A direção do Escudo aponta para uma das regiões mais povoadas do céu. Ali fica a chamada nuvem estelar do Escudo, um trecho da Via Láctea onde a linha de visada atravessa um braço espiral quase de enfiada e o número de estrelas por área dispara. Isso torna o aglomerado difícil de separar do fundo e, ao mesmo tempo, faz dele um alvo visualmente marcante.

Por que ele parece um globular?

A diferença entre um aglomerado aberto e um globular não está no número de estrelas visíveis numa foto, e sim na história e na estrutura de cada tipo. Globulares são esferas antigas, com centenas de milhares de estrelas velhas, ligadas com força suficiente para sobreviver bilhões de anos orbitando o halo da galáxia. Abertos são grupos jovens do disco, com ligação frouxa, que se desmancham em algumas centenas de milhões de anos.

NGC 6705 é um aberto, e o SIMBAD o classifica como OpC. O que o torna incomum é a densidade: ele reúne um número grande de estrelas numa área pequena, com o centro visivelmente adensado. Aglomerados abertos costumam ser esparsos e mal delimitados, com bordas que se confundem com o campo. Aqui existe um núcleo claro.

Essa combinação de riqueza e compacidade tem consequência prática. Um aglomerado denso resiste melhor às forças de maré da galáxia e tende a durar mais que um aglomerado frouxo de mesma idade. Também torna o objeto uma amostra estatística melhor: com muitas estrelas nascidas ao mesmo tempo no mesmo lugar, dá para construir diagramas de cor e brilho bem povoados e datar o conjunto com menos ruído.

O que o campo largo revela em volta?

A imagem do acervo, feita em 2014 pela câmera WFI num telescópio do ESO no Chile, cobre 35,6 por 25,7 minutos de arco. Com o aglomerado ocupando 8,9 minutos de arco, ele fica confortavelmente dentro do quadro e ainda sobra bastante espaço em torno. Esse espaço é a parte informativa do enquadramento: ele mostra o contraste entre o grupo e o ambiente.

O contraste, aqui, é sutil. Numa direção pobre em estrelas, um aglomerado se destaca sozinho. Na direção do Escudo, o fundo já é denso, e distinguir membro de não membro a olho vira tarefa impossível. A separação real se faz por medidas: estrelas do aglomerado compartilham distância, velocidade e composição química, enquanto o fundo é uma mistura de tudo isso.

Existe ainda a poeira interestelar no caminho. A 6.000 anos-luz na direção do disco galáctico, boa parte da luz atravessa nuvens que absorvem e avermelham. Isso significa que as estrelas do aglomerado aparecem mais fracas e mais avermelhadas do que seriam se estivessem no vácuo, e qualquer estimativa de distância ou idade precisa corrigir esse efeito antes de comparar com modelos.

Como se descobre a idade de um aglomerado?

O método padrão usa o diagrama de cor e magnitude, uma versão prática do diagrama de Hertzsprung-Russell. Nele, cada estrela do aglomerado vira um ponto, com a cor num eixo e o brilho no outro. Estrelas que ainda fundem hidrogênio no núcleo se alinham numa faixa contínua chamada sequência principal, e o formato dessa faixa é previsto pela teoria de estrutura estelar.

A chave está no ponto onde a sequência principal termina. Estrelas mais massivas são mais quentes, mais azuis e mais brilhantes, e consomem o combustível muito mais rápido. Com o passar do tempo, as mais massivas vão saindo da sequência principal e migrando para a região das gigantes. O ponto de saída, portanto, desce ao longo da faixa conforme o aglomerado envelhece, e a posição dele funciona como ponteiro de relógio.

Esse raciocínio só é válido porque as estrelas de um aglomerado nasceram praticamente juntas, da mesma nuvem, com a mesma composição. Elas formam uma amostra em que a única variável importante é a massa. É por isso que aglomerados abertos são peças centrais na calibração dos modelos de evolução estelar, e por que um aglomerado rico como NGC 6705 vale mais que vários pobres.

Onde ele fica dentro da Via Láctea?

A 6.000 anos-luz, o aglomerado está bem dentro do disco da nossa galáxia, mas a menos de um terço da distância até o centro galáctico. Nessa faixa, a linha de visada na direção do Escudo atravessa material de um braço espiral, o que explica a densidade extraordinária de estrelas no fundo da imagem.

A coordenada ajuda a situar. Com declinação de aproximadamente 6 graus negativos, o objeto fica quase sobre o equador celeste, o que o torna observável de praticamente qualquer lugar do planeta. Poucos alvos deste acervo têm essa vantagem: a maioria é claramente austral ou claramente boreal.

O desvio para o vermelho registrado, z = 0,00012, corresponde a algumas dezenas de quilômetros por segundo de afastamento. Como em qualquer objeto da própria galáxia, esse número não mede expansão do universo: mede a diferença entre a órbita do aglomerado e a órbita do Sol em torno do centro da Via Láctea.

Os números deste objeto

Distância6.000 anos-luzdeclarada pelo publicador da imagem
ConstelaçãoEscudo (Sct)
Identificação principalNGC 6705SIMBAD
Outros nomesM 11, Aglomerado do Pato Selvagem
ClassificaçãoOpC, aglomerado abertoSIMBAD
Tamanho aparente8,9 minutos de arcoSIMBAD
Coordenadas J2000AR 282,7658 graus, Dec -6,2719 graus
Desvio para o vermelhoz = 0,00012
Campo da imagem35,6 por 25,7 minutos de arcometadado da imagem
Imagens no acervo1

O que reparar nesta imagem

  • O adensamento no centroRepare que a concentração de estrelas cresce em direção ao meio do grupo. Essa estrutura de núcleo é incomum em aglomerados abertos e é o que faz NGC 6705 parecer um globular pequeno à primeira vista.
  • A borda que se dissolve no fundoNão existe contorno nítido. Na direção do Escudo o campo estelar de fundo já é denso, e a fronteira do aglomerado só se define por medidas de distância e movimento, não a olho.
  • As poucas estrelas alaranjadasEntre a maioria de pontos azulados e brancos aparecem algumas estrelas nitidamente mais alaranjadas. São as mais massivas que já deixaram a sequência principal e incharam, virando gigantes.

Que tamanho é isso, de verdade

Este recorte do céu tem quase o mesmo tamanho aparente da Lua cheia. O recorte fotografado mede 36 minutos de arco de largura no céu, e a Lua cheia mede cerca de 31 minutos de arco.

Levando a distância em conta, o objeto tem cerca de 15,5 anos-luz de ponta a ponta. Para comparar: a Via Láctea inteira tem por volta de 100 mil anos-luz de diâmetro.

A luz desta imagem levou 6.000 anos para chegar até o telescópio. Você não está vendo o objeto como ele é hoje, e sim como ele era por volta da época em que a escrita foi inventada na Mesopotâmia.

Dá para ver isso daqui?

Agora este objeto está acima do horizonte de São Paulo, SP, baixo, perto do horizonte, a 12° de altura, na direção O.

Deste lugar, o ponto mais alto que ele alcança no céu é 73 graus acima do horizonte.

Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.

Quanto já se olhou para aqui

  • 58registros do Hubble

Contagem de observações arquivadas no Mikulski Archive for Space Telescopes, o repositório público operado pelo Space Telescope Science Institute, para uma busca num raio de 4,5 minutos de arco em torno da coordenada deste objeto. Um registro é um produto de observação, e não uma noite de telescópio nem uma fotografia: uma única campanha científica costuma render dezenas deles. O número serve para comparar a atenção que cada objeto recebeu, não para contar fotos.

O que ainda não se sabe

A quantidade exata de estrelas ligadas a NGC 6705 continua incerta, porque o campo de fundo na direção do Escudo é denso demais para separar membros por aparência. A correção pela poeira interestelar no caminho também é uma fonte de erro persistente: quanto de avermelhamento atribuir ao meio interestelar afeta diretamente a distância e a idade calculadas. Além disso, ainda se discute quantas estrelas o aglomerado já perdeu ao longo da vida e como isso muda a reconstrução da massa que ele tinha ao nascer.

Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.

Uma coisa que quase ninguém sabe

O nome Pato Selvagem não descreve nenhuma propriedade física do objeto. Ele vem de uma comparação visual do século 19, em que o arranjo das estrelas mais brilhantes lembrou a formação em V de um bando de aves em voo. Em imagens modernas, que registram milhares de estrelas fracas, a figura desaparece por excesso de informação.

Outras imagens deste objeto

Aglomerado do Pato Selvagem, aglomerado aberto, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFC3.Esta imagem repleta de estrelas nos mostra uma porção de Messier 11, um aglomerado estelar aberto na constelação austral de Scutum (o Escudo). Messier 11 também é conhecido como Aglomerado do Pato Selvagem, pois suas estrelas mais brilhantes formam um "V" que lembra um pouco um bando de patos em voo.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito ESA/Hubble & NASA, P. Dobbie et al. ESA/Hubble CC BY 4.0

Ilustração artística de Aglomerado do Pato Selvagem, aglomerado abertoIlustração artística
Este mapa mostra a posição do aglomerado aberto NGC 6705, aqui designado como Messier 11 e marcado com um círculo amarelo, na constelação de Scutum (o Escudo). Scutum também abriga o aglomerado aberto Messier 26 e a bem conhecida estrela variável Delta Scuti.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO, IAU and Sky & Telescope ESO CC BY 4.0

Vídeo de Aglomerado do Pato Selvagem

O player do YouTube só carrega depois que você clica, e sem cookie de rastreio. Vídeo publicado por European Southern Observatory (ESO); o conteúdo é do canal, e não do ValorFinal.

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A licença CC BY 4.0 permite usar a imagem, inclusive comercialmente, desde que o crédito apareça inteiro e visível junto dela. Copie o crédito acima junto com o arquivo.

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Créditos das imagens desta página

Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.

  • Caixa de Joias

    Crédito ESO ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Westerlund 1

    Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, M. Zamani (ESA/Webb), M. G. Guarcello (INAF-OAPA) and the EWOCS team ESA/Webb CC BY 4.0

  • Westerlund 2

    Crédito NASA, ESA, the Hubble Heritage Team (STScI/AURA), A. Nota (ESA/STScI), and the Westerlund 2 Science Team ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Aglomerado NGC 3293

    Crédito ESO/G. Beccari ESO CC BY 4.0

  • Aglomerado NGC 3532

    Crédito ESO/Digitized Sky Survey 2. Acknowledgement: Davide De Martin ESO CC BY 4.0

  • Aglomerado NGC 6604

    Crédito ESO CC BY 4.0

Perguntas frequentes

O que é o Aglomerado do Pato Selvagem?
O Aglomerado do Pato Selvagem, catalogado como NGC 6705 e também conhecido como Messier 11, é um aglomerado aberto na constelação do Escudo, a cerca de 6.000 anos-luz segundo a distância declarada pelo publicador da imagem. Com 8,9 minutos de arco de tamanho aparente, é bem mais compacto que a média dos aglomerados abertos, e a alta concentração de estrelas no centro faz com que ele lembre um aglomerado globular pequeno em observações rápidas.
Por que ele se chama Pato Selvagem?
O apelido vem de uma descrição feita no século 19, em que um observador comparou o arranjo das estrelas mais brilhantes do aglomerado à formação em V de um bando de patos em voo. A impressão depende do instrumento, do aumento e do enquadramento usados, e em imagens modernas, que registram um número muito maior de estrelas fracas, a figura se dissolve. O nome permaneceu por tradição, sem relação com nenhuma propriedade física do objeto.
NGC 6705 é um aglomerado aberto ou globular?
Aberto. O SIMBAD o classifica como OpC, e a classificação leva em conta a história e a estrutura do grupo, não a aparência. Aglomerados abertos são jovens, ficam no disco da galáxia e se dissolvem em algumas centenas de milhões de anos. Globulares são esferas antigas do halo, com centenas de milhares de estrelas velhas, que sobrevivem por bilhões de anos. NGC 6705 apenas é denso o bastante para causar confusão visual.
Como os astrônomos calculam a idade de um aglomerado?
Pelo ponto de saída da sequência principal. Colocando cada estrela do aglomerado num gráfico de cor contra brilho, as que ainda fundem hidrogênio no núcleo formam uma faixa contínua. Estrelas mais massivas queimam combustível mais rápido e abandonam essa faixa antes das outras, então o ponto em que a faixa termina desce conforme o tempo passa. Como todas as estrelas do grupo nasceram juntas, esse ponto funciona como ponteiro de relógio para o conjunto inteiro.
Dá para observar Messier 11 com telescópio amador?
Sim, e é um alvo clássico. Com 8,9 minutos de arco, ele cabe no campo da maioria dos telescópios pequenos e médios, aparecendo como um aglomerado denso de estrelas com um núcleo bem marcado. Em binóculo ele já se destaca como uma mancha granulada. A declinação de cerca de 6 graus negativos, quase sobre o equador celeste, torna o objeto acessível de praticamente qualquer latitude do planeta.
Por que o fundo da imagem tem tantas estrelas?
Porque a constelação do Escudo aponta para uma das regiões mais povoadas do céu. Nessa direção a linha de visada atravessa longitudinalmente material de um braço espiral da Via Láctea, e a quantidade de estrelas por área dispara. O efeito tem nome próprio, nuvem estelar do Escudo, e é um adensamento aparente causado pela perspectiva. A consequência prática é que separar as estrelas do aglomerado das estrelas de fundo exige medidas, não aparência.

Fontes oficiais

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Como citar esta página

ValorFinal. Aglomerado do Pato Selvagem. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/aglomerado-do-pato-selvagem. Consultado em: 23/08/2026.