Análise combinatória: arranjo, permutação e combinação

Aprenda análise combinatória no nível de uma aula particular: o princípio fundamental da contagem, fatorial, permutação, arranjo e combinação, a diferença entre quando a ordem importa ou não, exemplos resolvidos e exercícios para o ENEM e concursos.

Revisado pela equipe editorial ValorFinalOBMEP / IMPA (matemática) / BNCC / análise combinatória

A análise combinatória é a parte da matemática que ensina a contar de quantas formas algo pode acontecer sem precisar listar todas as possibilidades uma a uma. Ela responde perguntas como quantas senhas de quatro dígitos existem, de quantas maneiras um time pode subir ao pódio, quantas comissões podem ser formadas em uma turma ou qual a chance de acertar um jogo de loteria. Em vez de escrever todos os casos, que muitas vezes são milhões, usamos fórmulas que dão o total diretamente. Este guia foi escrito como uma aula completa, do princípio fundamental da contagem até as fórmulas de fatorial, permutação, arranjo e combinação, com muitos exemplos resolvidos e a explicação do erro mais comum, que é confundir quando a ordem importa. O conteúdo serve para quem está no ensino médio, para quem retoma os estudos e, principalmente, para quem se prepara para o ENEM e para concursos, onde a contagem cai com frequência. Para conferir cada conta enquanto lê, use a calculadora de análise combinatória.

O princípio fundamental da contagem

Tudo na análise combinatória começa por uma ideia simples chamada princípio fundamental da contagem, ou princípio multiplicativo. Ele diz o seguinte: se uma tarefa pode ser feita em etapas, e cada etapa tem um número de possibilidades, então o total de maneiras de realizar a tarefa inteira é o produto dessas possibilidades. Imagine que você vai montar um lanche escolhendo um tipo de pão entre 3 opções e um recheio entre 4 opções. Para cada um dos 3 pães existem 4 recheios possíveis, então o total de lanches diferentes é 3 vezes 4, que dá 12. Não foi preciso desenhar os 12 lanches: bastou multiplicar.

Esse raciocínio se estende para quantas etapas forem necessárias, desde que as escolhas sejam independentes. Se uma placa de carro antiga tem 3 letras e 4 números, e cada letra pode ser uma das 26 do alfabeto e cada número um dos 10 dígitos, o total de placas é 26 x 26 x 26 x 10 x 10 x 10 x 10. O princípio multiplicativo é a fundação de tudo o que vem depois. As fórmulas de arranjo, permutação e combinação nada mais são do que aplicações organizadas desse mesmo princípio para situações que aparecem o tempo todo.

Vale notar uma diferença importante. No exemplo do lanche, as escolhas eram independentes e os números não mudavam de uma etapa para a outra. Em muitos problemas, porém, escolher um elemento reduz as opções da etapa seguinte, porque não podemos repetir. Por exemplo, ao formar uma fila com pessoas diferentes, depois de escolher quem fica na frente, sobra uma pessoa a menos para a segunda posição. É justamente para tratar esses casos, em que os números vão diminuindo, que surgem o fatorial e as fórmulas que veremos a seguir.

O fatorial: a base de tudo

O fatorial de um número inteiro não negativo n, escrito como n!, é o produto de todos os inteiros positivos de 1 até n. Assim, 4! = 4 x 3 x 2 x 1 = 24, e 6! = 6 x 5 x 4 x 3 x 2 x 1 = 720. O fatorial cresce muito rápido: 10! já passa de 3 milhões, e 13! ultrapassa 6 bilhões. Esse crescimento explosivo é o motivo de muitos problemas de contagem terem respostas com números gigantescos.

O significado do fatorial é direto: ele conta de quantas formas podemos ordenar n elementos distintos em fila. Para entender, pense em colocar 3 livros diferentes numa prateleira. Para a primeira posição há 3 escolhas. Feita essa escolha, sobram 2 livros para a segunda posição, e depois sobra 1 livro para a última. Pelo princípio multiplicativo, o total é 3 x 2 x 1 = 6, que é exatamente 3!. Por isso dizemos que o número de ordenações de n elementos é n!.

Um detalhe que costuma gerar dúvida é o valor de 0!, que por convenção vale 1. A justificativa é que existe exatamente uma forma de ordenar um conjunto vazio, que é não fazer nada. Além disso, esse valor é necessário para que as fórmulas de arranjo e combinação deem resultados corretos nos casos extremos, como escolher zero elementos. Guarde então que 0! = 1 e 1! = 1, e que a partir daí os fatoriais começam a crescer.

Permutação simples: ordenar todos

A permutação simples é o caso em que queremos ordenar todos os n elementos distintos de um conjunto, sem deixar nenhum de fora. O número de permutações é Pn = n!. Se você tem 5 quadros diferentes para pendurar lado a lado em uma parede, o número de arranjos possíveis é P5 = 5! = 120. Cada ordem diferente conta como uma possibilidade distinta, porque a posição de cada quadro muda o resultado final.

Um exemplo clássico de permutação são os anagramas, que são todas as reordenações das letras de uma palavra. Quando todas as letras são diferentes, o número de anagramas é simplesmente o fatorial da quantidade de letras. A palavra LIVRO tem 5 letras distintas, então possui 5! = 120 anagramas, que são todas as formas de embaralhar essas cinco letras, mesmo que a maioria não forme palavras com sentido. Esse tipo de problema aparece com frequência em provas e é uma boa forma de praticar a ideia de permutação.

Quando algumas letras se repetem, precisamos de um ajuste. Se contássemos 5! para uma palavra com letras iguais, estaríamos contando várias vezes a mesma sequência, já que trocar duas letras iguais de lugar não gera um anagrama novo. Para corrigir, dividimos o fatorial total pelo fatorial da quantidade de cada letra repetida. Essa é a permutação com repetição. Por exemplo, a palavra ARARA tem 5 letras, sendo 3 letras A e 2 letras R, então o número de anagramas é 5! dividido por 3! vezes 2!, que dá 120 dividido por 12, ou seja, 10. A palavra BANANA, com 6 letras, 3 A, 2 N e 1 B, tem 6! dividido por 3! vezes 2! vezes 1!, que resulta em 60.

Existe ainda um caso especial chamado permutação circular, usado quando os elementos são dispostos em círculo, como pessoas em torno de uma mesa redonda. Nesse caso, o que importa é a posição relativa entre os elementos, e não a posição absoluta, porque girar a roda toda não cria uma nova disposição. O número de permutações circulares de n elementos é (n menos 1)!, em vez de n!. Por exemplo, 5 pessoas em torno de uma mesa redonda podem se sentar de (5 menos 1)! = 4! = 24 formas distintas. Esse ajuste aparece em problemas de mesas, rodas e colares, e é uma boa pergunta para testar se você entendeu por que o fatorial conta ordenações lineares.

Arranjo: escolher e ordenar

O arranjo simples aparece quando queremos escolher p elementos entre n disponíveis e, além disso, a ordem em que eles aparecem importa. A fórmula é A(n, p) = n! dividido por (n menos p)!. Na prática, isso equivale a multiplicar os p maiores fatores a partir de n. Por exemplo, A(5, 2) = 5 x 4 = 20, e A(6, 3) = 6 x 5 x 4 = 120. Repare que paramos de multiplicar depois de p fatores, em vez de chegar até 1 como no fatorial completo.

Um exemplo típico de arranjo é o pódio de uma competição. Suponha que 8 atletas disputam uma corrida e queremos saber de quantas formas podem ser distribuídas as medalhas de ouro, prata e bronze. Aqui a ordem importa, porque ser o primeiro é diferente de ser o terceiro. São 8 opções para o ouro, depois 7 para a prata e 6 para o bronze, totalizando 8 x 7 x 6 = 336, que é exatamente A(8, 3). Outro exemplo são as senhas: o número de senhas de 3 dígitos distintos formadas com os algarismos de 0 a 9 é A(10, 3) = 10 x 9 x 8 = 720.

Note que a permutação é um caso particular do arranjo. Quando p é igual a n, ou seja, quando escolhemos e ordenamos todos os elementos, temos A(n, n) = n! dividido por 0!, que dá n!, exatamente a permutação. Isso mostra como as fórmulas estão conectadas: o arranjo generaliza a permutação para os casos em que selecionamos apenas parte dos elementos, mantendo a ordem como fator relevante.

Combinação: escolher sem ordenar

A combinação simples é talvez o conceito mais cobrado em provas e também o que mais confunde quem está aprendendo. Usamos combinação quando queremos escolher p elementos entre n, mas a ordem não importa. A fórmula é C(n, p) = n! dividido por p! vezes (n menos p)!. Por exemplo, C(5, 2) = 5! dividido por 2! vezes 3!, que dá 120 dividido por 12, ou seja, 10. Existem, portanto, 10 maneiras de escolher 2 elementos entre 5 quando a ordem não faz diferença.

A ligação entre combinação e arranjo é muito esclarecedora. Para escolher 2 entre 5 com ordem, temos A(5, 2) = 20. Mas cada par de elementos pode ser ordenado de 2! = 2 maneiras, e essas duas ordenações representam a mesma combinação. Por isso dividimos 20 por 2 e chegamos a 10. De forma geral, C(n, p) = A(n, p) dividido por p!. Sempre que a ordem deixa de importar, dividimos o número de arranjos pelo fatorial de p para eliminar as contagens repetidas.

Exemplos de combinação estão por toda parte. Formar uma comissão de 3 pessoas em uma turma de 10 é uma combinação, C(10, 3) = 120, porque uma comissão não tem cargos e a ordem dos nomes não muda nada. Escolher 2 sabores de sorvete entre 8 disponíveis é C(8, 2) = 28. E os jogos de loteria são o exemplo mais famoso: o número de jogos possíveis da Mega-Sena, em que marcamos 6 dezenas entre 60, é C(60, 6), que vale 50.063.860. Para entender como essa contagem vira chance de prêmio, veja o guia de probabilidade e use a calculadora de probabilidade.

Arranjo ou combinação? A pergunta decisiva

A dúvida mais comum em análise combinatória é saber se um problema pede arranjo ou combinação, ou seja, se a ordem importa ou não. Existe uma pergunta simples que resolve quase todos os casos: trocar a ordem dos elementos escolhidos gera um resultado diferente? Se a resposta for sim, a ordem importa, e usamos arranjo ou permutação. Se a resposta for não, a ordem não importa, e usamos combinação.

Vamos testar a pergunta. Escolher 3 pessoas para os cargos de presidente, vice e tesoureiro: trocar a ordem muda quem ocupa cada cargo, então a ordem importa, e o caso é de arranjo. Escolher 3 pessoas para uma comissão sem cargos: trocar a ordem não muda o grupo, então a ordem não importa, e o caso é de combinação. Formar uma senha numérica: trocar a ordem dos dígitos muda a senha, então é arranjo. Sortear 5 números de uma loteria: a ordem do sorteio não importa para o prêmio, então é combinação. Repare como a mesma pergunta resolve situações muito diferentes.

Uma observação útil é que o arranjo sempre dá um número maior ou igual ao da combinação com os mesmos n e p, justamente porque conta cada grupo várias vezes, uma para cada ordem possível. Se você chegou a um resultado em que a combinação ficou maior que o arranjo, certamente houve um erro de fórmula. Essa comparação serve como uma boa verificação rápida ao resolver exercícios.

Combinação, triângulo de Pascal e binômio de Newton

As combinações têm uma propriedade elegante: elas formam o triângulo de Pascal. Na linha n e na posição p, o valor do triângulo é exatamente C(n, p). A regra de construção do triângulo, em que cada número é a soma dos dois que estão acima dele, corresponde à relação de Stifel: C(n, p) é igual a C(n menos 1, p menos 1) mais C(n menos 1, p). Essa relação permite construir as combinações sem calcular fatoriais grandes, apenas somando.

Outra propriedade importante é a simetria: C(n, p) é igual a C(n, n menos p). Isso faz sentido, porque escolher quais p elementos entram em um grupo equivale a escolher quais n menos p elementos ficam de fora. Por exemplo, C(10, 3) é igual a C(10, 7), ambos valendo 120. Essa simetria reduz o trabalho de cálculo, já que podemos sempre usar o menor entre p e n menos p como expoente.

As combinações também são os coeficientes do binômio de Newton, a fórmula que expande potências de uma soma, como o quadrado ou o cubo de uma soma. Os números que aparecem na expansão de uma potência de a mais b são exatamente as combinações da linha correspondente do triângulo de Pascal. Esse é um bom exemplo de como a análise combinatória se conecta com a álgebra. Para fatorar expressões e entender produtos notáveis, veja também o guia de problema diamante.

Exercícios resolvidos passo a passo

Vamos resolver alguns exercícios no estilo das provas. Primeiro exemplo: quantos anagramas tem a palavra PROVA? Como ela tem 5 letras distintas, o número de anagramas é simplesmente 5! = 120. Segundo exemplo: de quantas formas 4 amigos podem sentar em 4 cadeiras numeradas? Como todos sentam e a ordem importa, é uma permutação: P4 = 4! = 24.

Terceiro exemplo: uma empresa tem 7 funcionários e quer escolher 3 para uma viagem, sem distinguir funções. Como a ordem não importa, usamos combinação: C(7, 3) = 7! dividido por 3! vezes 4!, que dá 35. Quarto exemplo: de quantas formas podemos premiar 3 entre 7 funcionários com prêmios de primeiro, segundo e terceiro lugar? Agora a ordem importa, então usamos arranjo: A(7, 3) = 7 x 6 x 5 = 210. Repare que o mesmo conjunto de números, 7 e 3, gera respostas diferentes conforme a ordem importe ou não, o que reforça a importância de identificar o tipo certo de problema.

Quinto exemplo, um pouco mais elaborado: quantas comissões de 4 pessoas, com pelo menos 1 mulher, podem ser formadas em um grupo de 5 homens e 3 mulheres? Uma estratégia eficiente é contar o total de comissões e subtrair as que não têm nenhuma mulher. O total de comissões de 4 entre 8 é C(8, 4) = 70. As comissões só de homens são C(5, 4) = 5. Logo, as comissões com pelo menos uma mulher são 70 menos 5, que dá 65. Essa técnica de contar o complementar é muito útil quando a condição do problema usa a expressão pelo menos.

Sexto exemplo, envolvendo dígitos: quantos números de 3 algarismos distintos podemos formar com os dígitos de 1 a 9? Como a ordem dos algarismos muda o número, é um arranjo: A(9, 3) = 9 x 8 x 7 = 504. Se permitíssemos repetição, o cálculo seria diferente, pois cada posição teria 9 opções, dando 9 x 9 x 9 = 729 pela contagem direta. A diferença entre os dois resultados, 504 e 729, mostra como a condição de não repetir reduz o número de possibilidades, e por que é tão importante ler o enunciado com atenção para saber se a repetição é permitida ou não.

Sétimo exemplo, com agrupamento: de quantas formas podemos dividir 12 alunos em duas equipes de 6? Escolhemos os 6 da primeira equipe de C(12, 6) = 924 formas, e os outros 6 ficam automaticamente na segunda. Mas como as duas equipes não têm nome nem ordem, cada divisão foi contada duas vezes, então dividimos por 2, chegando a 462 divisões distintas. Esse cuidado de dividir por uma permutação dos grupos iguais é um detalhe fino que diferencia quem domina a contagem de quem apenas aplica fórmulas de cor.

Outros tipos de problema: apertos de mão, diagonais e domínios

Alguns problemas clássicos de combinação aparecem disfarçados, e reconhecê-los economiza tempo na prova. O problema dos apertos de mão é um deles: em uma reunião com 10 pessoas, em que cada uma cumprimenta todas as outras uma única vez, o número total de apertos é C(10, 2) = 45. A ideia é que um aperto de mão é um par de pessoas, e a ordem não importa, porque A cumprimentar B é o mesmo aperto que B cumprimentar A. Sempre que o problema fala de pares, ligações ou encontros sem direção, pense em combinação de 2.

Outro exemplo é o número de diagonais de um polígono. Um polígono de n lados tem C(n, 2) segmentos ligando seus vértices, mas n desses segmentos são os próprios lados. Então o número de diagonais é C(n, 2) menos n. Para um decágono, de 10 lados, temos C(10, 2) menos 10, que dá 45 menos 10, ou seja, 35 diagonais. Esse tipo de problema mistura geometria com contagem e cai com frequência. Para revisar as figuras planas, veja o guia de área e perímetro.

Há também os problemas em que precisamos escolher de grupos diferentes ao mesmo tempo. Por exemplo, para formar uma comissão com 2 homens e 2 mulheres a partir de 5 homens e 4 mulheres, escolhemos os homens de C(5, 2) = 10 formas e as mulheres de C(4, 2) = 6 formas. Como as duas escolhas precisam acontecer juntas, multiplicamos pelo princípio fundamental da contagem: 10 vezes 6, que dá 60 comissões possíveis. Esse padrão, de combinar dentro de cada grupo e depois multiplicar os resultados, é muito comum e vale a pena memorizar.

A combinatória no ENEM e em concursos

Nas provas, os problemas de contagem raramente pedem apenas para aplicar uma fórmula. Eles costumam descrever uma situação do cotidiano e exigir que você decida qual ferramenta usar. Por isso, a habilidade mais importante não é decorar fórmulas, mas interpretar o enunciado e identificar se a ordem importa, se há repetição e se as escolhas acontecem em sequência ou são alternativas. Ler com atenção e traduzir o enunciado para os conceitos de n, p, arranjo e combinação é metade do caminho.

Uma estratégia que ajuda muito é começar pequeno. Se o problema parece confuso, resolva uma versão menor dele contando os casos na mão e procure o padrão. Muitas vezes, ao escrever os primeiros casos, fica claro se a ordem importa ou se há repetição. Outra estratégia poderosa é a contagem do complementar, que já usamos no exemplo das comissões com pelo menos uma mulher: em vez de contar diretamente os casos que satisfazem a condição, conte o total e subtraia os que não satisfazem. Isso costuma transformar um problema difícil em dois problemas fáceis.

Por fim, lembre-se de que a análise combinatória é a porta de entrada para a probabilidade, um tema que cai ainda mais nas provas. Quase todo problema de probabilidade clássica exige contar casos favoráveis e casos possíveis, e essas contagens são exatamente arranjos e combinações. Dominar a contagem deixa a probabilidade muito mais simples. Pratique os dois temas em conjunto, usando a calculadora de probabilidade logo depois de resolver a contagem na calculadora de análise combinatória.

Erros comuns e como evitar

O erro mais frequente, como já vimos, é confundir arranjo com combinação. Sempre que tiver dúvida, volte à pergunta sobre se a ordem importa. Outro erro comum é esquecer de tratar elementos repetidos nos anagramas, aplicando o fatorial simples a palavras com letras iguais, o que superestima a resposta. Lembre-se de dividir pelo fatorial das repetições nesses casos.

Um terceiro erro é somar quando se deveria multiplicar, ou o contrário. A regra geral é: quando as etapas acontecem em sequência e ambas precisam ocorrer, multiplicamos; quando temos casos alternativos e excludentes, em que ocorre um ou outro, somamos. Por fim, é comum errar contas de fatorial por descuido, especialmente com números grandes. Por isso vale resolver no papel para entender o raciocínio e depois conferir o resultado na calculadora de análise combinatória, que faz a aritmética exata mesmo quando os números têm dezenas de dígitos. Para revisar os fatores e os números primos que aparecem nessas contas, veja também o guia de decomposição em fatores primos.

Resumo e próximos passos

A análise combinatória se resume a quatro ideias que se apoiam umas nas outras. O princípio fundamental da contagem ensina a multiplicar possibilidades. O fatorial conta ordenações e é a base das fórmulas. A permutação ordena todos os elementos, o arranjo escolhe e ordena parte deles, e a combinação escolhe sem se importar com a ordem. A pergunta central, em qualquer problema, é se a ordem importa, e a resposta indica qual fórmula usar. Com prática, esses conceitos deixam de assustar e passam a ser uma ferramenta poderosa para resolver problemas de contagem e abrir caminho para a probabilidade. Um bom roteiro de estudo é fixar primeiro o princípio fundamental da contagem com exemplos simples de etapas, depois treinar o fatorial e as permutações com anagramas, em seguida separar bem arranjo e combinação resolvendo problemas variados e, por último, aplicar tudo em probabilidade. Refaça os exercícios deste guia trocando os números e confira cada resposta na calculadora, porque a repetição com conferência imediata é a forma mais rápida de ganhar confiança nesse conteúdo que costuma assustar à primeira vista. Continue estudando pelo portal de matemática e pratique com a calculadora de análise combinatória. Todos os nossos cálculos são auditáveis, como explicamos em como validamos os cálculos.

Calculadoras deste guia

Como validamos os cálculos

Os valores citados neste guia são estimativos e baseados em fontes oficiais (OBMEP / IMPA (matemática) / BNCC / análise combinatória). Eles podem variar conforme convenção coletiva, situação individual e atualizações da legislação. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre arranjo e combinação?
A diferença está na ordem. No arranjo a ordem dos elementos importa, e na combinação a ordem não importa. Escolher 3 alunos para os cargos de presidente, vice e secretário é um arranjo, porque trocar quem fica em cada cargo gera um resultado diferente. Escolher 3 alunos para uma comissão sem cargos é uma combinação, porque a comissão é a mesma independentemente da ordem em que os nomes foram citados. Por isso o arranjo sempre dá um número maior ou igual ao da combinação com os mesmos valores de n e p.
O que é o fatorial de um número?
O fatorial de um número inteiro não negativo n, escrito n!, é o produto de todos os inteiros positivos de 1 até n. Por exemplo, 5! = 5 x 4 x 3 x 2 x 1 = 120. Ele aparece em quase todas as fórmulas da análise combinatória porque conta de quantas formas podemos ordenar n elementos distintos. Por convenção, 0! = 1, valor necessário para que as fórmulas de arranjo e combinação funcionem corretamente.
O que é o princípio fundamental da contagem?
O princípio fundamental da contagem, também chamado de princípio multiplicativo, diz que se uma decisão pode ser tomada de a maneiras e, em seguida, outra decisão independente pode ser tomada de b maneiras, então o número total de possibilidades é a vezes b. Esse princípio se estende para quantas etapas forem necessárias. Ele é a base de toda a análise combinatória, e as fórmulas de arranjo, permutação e combinação podem ser deduzidas a partir dele.
Como calcular a combinação C(n, p)?
A combinação é dada por C(n, p) = n! dividido por p! vezes (n menos p)!. Por exemplo, C(5, 2) = 5! / (2! x 3!) = 120 dividido por 12, que dá 10. Isso significa que existem 10 formas de escolher 2 elementos entre 5 quando a ordem não importa. Uma forma prática de calcular é usar a fórmula multiplicativa, multiplicando os p maiores fatores de n no numerador e p! no denominador.
Como calcular o arranjo A(n, p)?
O arranjo é dado por A(n, p) = n! dividido por (n menos p)!. Isso equivale a multiplicar os p maiores fatores a partir de n. Por exemplo, A(5, 2) = 5 x 4 = 20, e A(6, 3) = 6 x 5 x 4 = 120. O arranjo conta de quantas formas escolher e ordenar p elementos entre n disponíveis. Ele é exatamente p! vezes maior que a combinação correspondente, porque cada grupo de p elementos pode ser ordenado de p! maneiras.
O que é permutação simples?
A permutação simples conta de quantas formas podemos ordenar todos os n elementos distintos de um conjunto, sem deixar nenhum de fora. O valor é Pn = n!. Por exemplo, o número de formas de organizar 4 livros diferentes em uma prateleira é P4 = 4! = 24. A permutação é um caso particular do arranjo em que p é igual a n, ou seja, escolhemos e ordenamos todos os elementos disponíveis.
Como calcular anagramas de uma palavra?
O número de anagramas de uma palavra com todas as letras distintas é o fatorial da quantidade de letras. A palavra AMOR tem 4 letras diferentes, então tem 4! = 24 anagramas. Quando há letras repetidas, dividimos o fatorial total pelo fatorial da quantidade de cada letra repetida. A palavra ARARA tem 5 letras, com 3 letras A e 2 letras R, então o número de anagramas é 5! dividido por (3! x 2!), que dá 10.
Quando uso análise combinatória na probabilidade?
Usamos análise combinatória para contar o número de casos favoráveis e o número de casos possíveis de um experimento, que são os dois ingredientes da probabilidade clássica. Por exemplo, para calcular a chance de acertar a Mega-Sena, contamos as combinações de 6 números entre 60, que são C(60, 6), e dividimos 1 por esse total. A combinatória responde quantas, e a probabilidade transforma essa contagem em chance.
O que é permutação com repetição?
A permutação com repetição calcula os anagramas de um conjunto em que alguns elementos se repetem. A fórmula é n! dividido pelo produto dos fatoriais das quantidades de cada elemento repetido. Por exemplo, para a palavra BANANA, que tem 6 letras com 3 letras A, 2 letras N e 1 letra B, o número de anagramas é 6! dividido por (3! x 2! x 1!), que dá 60. Sem a divisão, contaríamos várias vezes o mesmo arranjo de letras iguais.
Qual a relação entre combinação e o triângulo de Pascal?
Cada número do triângulo de Pascal é uma combinação. Na linha n e na posição p, o valor é C(n, p). A regra de formação do triângulo, em que cada termo é a soma dos dois acima, corresponde à relação de Stifel: C(n, p) = C(n menos 1, p menos 1) mais C(n menos 1, p). O triângulo de Pascal também fornece os coeficientes do binômio de Newton, usados para expandir potências de uma soma.
Como saber se a ordem importa em um problema?
Pergunte se trocar a ordem dos elementos escolhidos muda o resultado. Em senhas, pódios, filas, códigos e cargos, a ordem importa, então use arranjo ou permutação. Em comissões, grupos, jogos de loteria, saladas e seleções de itens sem posição definida, a ordem não importa, então use combinação. Essa única pergunta resolve a maior parte das dúvidas e é o passo mais importante para escolher a fórmula certa.
Existe uma calculadora de análise combinatória?
Sim. A calculadora de análise combinatória do ValorFinal calcula fatorial, arranjo, combinação e permutação a partir dos valores de n e p, com aritmética exata mesmo para números grandes, e mostra a memória de cálculo com a fórmula aplicada. Use para conferir exercícios, entender a diferença entre arranjo e combinação e resolver problemas de contagem do ENEM e de concursos com segurança. Ela é gratuita, funciona direto no navegador e não exige cadastro nem instalação de nada.