Metodologia das calculadoras de investimentos

Atualizado em 23 de setembro de 2026

De onde vem a nossa autoridade

O ValorFinal não tem economista, contador nem analista credenciado na equipe, e não vai inventar um. Quem mantém a plataforma é Cesar Gargiulo, responsável pela engenharia, pela pesquisa das fontes e pela auditoria dos cálculos, com a equipe do portal na revisão editorial. Ferramentas de inteligência artificial ajudam no desenvolvimento e na revisão, e isso não faz de nenhuma delas revisora financeira.

O que sustenta os números, então, é outra coisa: cada regra sai de fonte primária e carrega a norma, a data em que passou a valer e a data em que foi conferida pela última vez; cada fórmula está escrita por extenso; cada resultado pode ser refeito no papel. É isso que esta página serve para você conferir. Erro encontrado depois de publicado entra no registro público de correções.

As taxas do dia

Selic, CDI, TR, IPCA e a PTAX vêm da API de séries temporais do Banco Central, buscadas de hora em hora por um serviço próprio e gravadas numa fotografia única que todas as superfícies leem: as páginas de indicador, as calculadoras, o hub e os widgets que outros sites incorporam. Não existe caminho em que uma tela mostre uma Selic e outra mostre outra.

Cada número tem um código de série, e ele está aqui para você refazer a consulta na fonte sem depender de nós: meta Selic é a SGS 432, a Selic efetiva é a SGS 1178, o CDI acumulado e anualizado é a SGS 4389, a Taxa Referencial é a SGS 226, o IPCA mensal do IBGE é a SGS 433, o rendimento oficial da poupança é a SGS 195 e o dólar PTAX de venda é a SGS 1. Todas no Sistema Gerenciador de Séries Temporais do Banco Central.

Cada indicador é avaliado pela periodicidade dele, e não por um prazo genérico. A meta Selic só muda quando há reunião do Copom, então ficar semanas igual é o comportamento correto; o CDI e a PTAX mudam em dia útil; o IPCA é mensal e sai com semanas de atraso, o que é normal. Quando um dado passa da janela esperada, a tela diz "último dado oficial disponível" em vez de apresentá-lo como o de hoje.

A fotografia que o site publica é regerada a cada publicação. Isso existe por um motivo concreto: entre 11 e 19 de setembro de 2026 ela ficou parada e atravessou uma reunião do Copom, então o HTML anunciava Selic de 14,00% ao ano quando o Banco Central já estava em 13,75%. Prazo de validade em dias não pega esse erro, porque o arquivo tinha oito dias de vida e estava errado assim mesmo.

As regras, com data de vigência

Regra tributária muda por norma publicada, e uma simulação de 2025 respondida com a regra de 2026 está errada mesmo estando "atualizada". Por isso cada regra guarda as versões dela, e o cálculo escolhe a que valia na data pedida em vez de sobrescrever a história.

RegraVigênciaNorma
IR regressivo de renda fixadesde 01/01/2005Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, art. 1ºconferida em 19/09/2026
Dividendos recebidos por pessoa físicade 01/01/1996 a 31/12/2025Lei nº 9.249/1995, art. 10 (lucros e dividendos não sujeitos à retenção)conferida em 19/09/2026
Dividendos recebidos por pessoa físicadesde 01/01/2026Lei nº 15.270, de 26 de novembro de 2025 (art. 6º-A da Lei 9.250/1995)conferida em 19/09/2026

Convenção de prazo, e por que ela importa

A tabela do Imposto de Renda é em dias corridos de calendário e os formulários perguntam meses. A conversão decide a alíquota: se 12 meses virassem 360 dias, cairiam na faixa de 20%; como um ano de verdade tem 365 dias, a faixa certa é a de 17,5%.

O portal converte meses em dias pela média do calendário, de 365,25 dias por ano, arredondada para o dia inteiro: 1 mês dá 30 dias (IR de 22,5%), 6 meses dão 183 dias (IR de 20%), 12 meses dão 365 dias (IR de 17,5%) e 24 meses dão 731 dias (IR de 15%). Testamos essa regra contra o calendário: para cada prazo inteiro de 1 a 600 meses, contamos os dias reais a partir de todas as datas de início entre 2024 e 2031, e a faixa do imposto bate em todos os casos. Até 23 de setembro de 2026 o portal usava o mês comercial de 30 dias, que errava a faixa justamente em 6, 12 e 24 meses, sempre para a mais cara; a correção está no registro público de correções.

Quando a ferramenta trabalha com datas de verdade, como o modo preciso do comparador de renda fixa, ela conta os dias entre as datas e não passa por essa média: data real é sempre melhor.

O crescimento usa a taxa anual constante, como se ela rendesse por um ano de cerca de 252 dias úteis. O CDI e a Selic efetiva rendem por dia útil, e o ano real tem de 249 a 253 dias úteis conforme os feriados, então o bruto de uma aplicação de verdade pode ficar até cerca de 1% abaixo ou um pouco acima do simulado.

Um papel de "110% do CDI" rende 110% do CDI de cada dia útil, e não 110% da taxa anual. A conta segue o contrato: a taxa de um dia útil é TDI = (1 + CDI)^(1/252) - 1, o fator do dia é 1 + 110% × TDI, e a taxa ao ano é esse fator elevado a 252, menos 1. Com o CDI de 13,65% ao ano, o CDB de 110% do CDI rende 15,11% ao ano, e não os 15,02% da multiplicação. Acima de 100% do CDI a multiplicação encolhe o papel, e abaixo de 100% ela exagera. Até 24 de setembro de 2026 as calculadoras multiplicavam, e esse erro chegava a inverter o veredito entre um CDB e uma LCI.

Os centavos seguem uma regra só: o rendimento bruto é arredondado primeiro, o imposto é calculado sobre esses centavos (meio centavo sobe) e o líquido é a subtração exata, para a memória de cálculo fechar.

Tesouro Selic: a taxa é a Selic efetiva

O Tesouro Selic (LFT) rende pela taxa média dos financiamentos diários do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, que é a Selic efetiva, e não pela meta definida pelo Copom. A regra está no Decreto nº 12.814, de 9 de janeiro de 2026, art. 3º, IV, que em 2026 substituiu o Decreto 11.301/2022 com a mesma redação. Na fotografia desta publicação a meta é de 13,75% e a taxa usada para o título é de 13,65% ao ano (SGS 1178, Selic efetiva (over)). A efetiva costuma ficar cerca de 0,10 ponto abaixo da meta, colada no CDI. Até 23 de setembro de 2026 as calculadoras usavam a meta, e o Tesouro Selic aparecia com uma vantagem de 0,10 ponto sobre o CDB de 100% do CDI que ele não tem. A poupança continua pela meta, porque é a meta que a lei dela usa.

Poupança

A poupança rende 0,5% ao mês mais a TR quando a meta Selic está acima de 8,5% ao ano, e 70% da meta Selic mais a TR quando está em 8,5% ao ano ou menos (Lei nº 12.703/2012 (art. 12, II, da Lei nº 8.177/1991)).

As duas parcelas se compõem, não se somam: o rendimento do período é (1 + parcela básica) × (1 + TR) - 1. Somar as duas parcelas dá um número diferente e errado. Quando o Banco Central publica o rendimento já fechado do período de aniversário, é esse número que vale; quando não publicou ainda, a parcela básica é composta com a TR do período. A TR não é tratada como zero: com a Selic alta ela responde por cerca de um quarto do que a poupança paga.

A poupança também não rende proporcionalmente ao tempo. Ela credita juros no aniversário mensal de cada depósito, então sacar um dia antes custa o mês inteiro. Nas simulações por data, os aniversários são contados no calendário, e o depósito feito nos dias 29, 30 e 31 aniversaria no dia 1º do mês seguinte, como informa o Banco Central sobre a remuneração da poupança. Base legal: Lei nº 12.703/2012 (art. 12, II, da Lei nº 8.177/1991).

IOF, custódia e carência

  • IOF. Incide sobre o rendimento nos primeiros 30 dias, pela tabela regressiva do Receita Federal / Decreto 6.306/2007 (Anexo), e some a partir do 30º dia. Ele vem antes do Imposto de Renda: o IR incide sobre o rendimento já líquido de IOF, e inverter a ordem faz o imposto total sair maior do que é.
  • Custódia da B3. 0,20% ao ano sobre o valor custodiado no Tesouro Direto. No Tesouro Selic há isenção para o estoque de até R$ 10.000,00 por CPF, e a taxa incide só sobre o que excede. A isenção é sobre a posição, que cresce: quem entra com R$ 9.999 passa do limite em poucas semanas e começa a pagar sobre a diferença.
  • Carência da LCI e da LCA. A letra sem correção por índice de preços tem prazo mínimo de 6 meses desde a Resolução CMN nº 5.215, de 22/05/2025, e antes dele o papel não pode ser resgatado. Nas simulações por data, os 6 meses são contados no calendário a partir da aplicação; sem o dia correspondente no mês final, o prazo vence no dia seguinte, como o Código Civil manda contar prazos em meses (art. 132, § 3º). No prazo em meses, a LCI entra na disputa a partir de 6 meses. Antes disso ela aparece como indisponível, em vez de receber um número que descreveria uma operação que não existe. Até 24 de setembro de 2026 o portal ainda usava o prazo da regra anterior, que valeu até maio de 2025. O prazo real é o do papel contratado, e letras corrigidas por índice de preços têm prazo mínimo maior.

Caso que você pode refazer: CDB de 100% do CDI

R$ 10.000,00 num CDB de 100% do CDI por 12 meses, com o CDI de 13,65% ao ano da fotografia usada nesta publicação:

  1. Prazo em dias: 12 meses pela média do calendário = 365 dias, que caem na faixa de 17,5% (de 361 a 720 dias).
  2. Rendimento bruto: R$ 10.000,00 × (1 + 13,65%) - R$ 10.000,00 = R$ 1.365,00.
  3. Imposto: R$ 1.365,00 × 17,5% = R$ 238,88, arredondado para o centavo mais próximo.
  4. Líquido: R$ 1.365,00 - R$ 238,88 = R$ 1.126,12.

Refaça na calculadora de CDB pelo CDI com esses valores e o resultado tem de ser o mesmo. Se não for, o erro é nosso, e o contato está aberto.

Caso que você pode refazer: CDB contra LCI

A pergunta "quanto do CDI a LCI precisa pagar para empatar com este CDB?" tem uma resposta popular e errada. A regra de bolso do mercado multiplica o percentual do CDB por 1 menos a alíquota, e ela erra em qualquer prazo por dois motivos: o imposto incide sobre o ganho acumulado, e não sobre a taxa, e o percentual do CDI incide sobre o CDI de cada dia útil.

Com o CDI de 13,65% ao ano, um CDB de 110% do CDI e prazo de 2 anos (alíquota de 15%), a regra de bolso responde 93,50% do CDI. A conta correta responde 95,34% do CDI. A diferença cresce com o prazo e cai sempre para o mesmo lado, fazendo o papel isento parecer melhor do que é.

A conta que usamos iguala o valor líquido no fim do prazo: converte o percentual do CDI em taxa ao ano pela regra do dia útil, pega o ganho acumulado do papel tributado, desconta o imposto e converte o resultado de volta para taxa ao ano e para percentual do CDI. Confira no comparador de CDB e LCI, que mostra os dois números lado a lado.

O que estas calculadoras não fazem

  • Não recomendam investimento. Elas comparam valores líquidos sob as premissas que você informa, e dizer qual tem o maior valor líquido num cenário não é dizer qual é o melhor para a sua vida.
  • Não preveem taxa futura. Uma simulação supõe as taxas constantes por todo o prazo, e a Selic muda a cada reunião do Copom.
  • Não conhecem a sua carteira nem a sua declaração. Regras que dependem disso, como a retenção de dividendos por pagadora, são apresentadas com a condição explícita em vez de um número que fingiria saber.
  • Não avaliam risco de crédito, liquidez nem a qualidade de uma empresa ou de um fundo. FGC, carência e marcação a mercado aparecem citados; a decisão é sua.

A classificação de cada tipo de resultado do portal está em como validamos os cálculos, e a política pública de publicação, na política editorial.