Módulo 6 - Grafos: vértices, arestas e o mundo em rede
Tipos de grafo: dirigido, não dirigido e com peso
8 min de leitura · por Cesar Gargiulo, revisado pela equipe ValorFinal e GuardiaSec · Atualizado em 12/07/2026
O que você vai aprender
- Distinguir grafo dirigido de grafo não dirigido.
- Entender o que é o peso de uma aresta e quando usá-lo.
- Escolher o tipo de grafo conforme a relação que se quer representar.
- Reconhecer exemplos reais de cada tipo (amizade, mão única, distância).
Ouvir o resumo desta aula
Um recap de cerca de 2 minutos na voz do Valim, para ouvir no trânsito ou na academia.
Ler a transcrição do resumo
Resumo da aula: Tipos de grafo: dirigido, não dirigido e com peso.
Os objetivos desta aula. Distinguir grafo dirigido de grafo não dirigido. Entender o que é o peso de uma aresta e quando usá-lo. Escolher o tipo de grafo conforme a relação que se quer representar. Reconhecer exemplos reais de cada tipo (amizade, mão única, distância).
Veja o essencial, parte por parte.
Mão dupla ou mão única. Grafo não dirigido: a aresta vale nos dois sentidos, como uma amizade. Se A liga a B, B liga a A.
Arestas que carregam um número: o peso. A segunda escolha é sobre o peso.
Escolher o tipo certo antes de programar. Tratar uma rua de mão única como mão dupla cria caminhos que não existem na vida real.
Esse foi o resumo do essencial. Para se aprofundar, leia a aula completa e responda os exercícios.
Mão dupla ou mão única
A primeira grande escolha ao modelar um grafo é a direção. Num grafo não dirigido, a aresta é uma mão dupla: se existe ligação entre A e B, ela serve para ir de A a B e de B a A, sem distinção. É o modelo natural para relações simétricas, aquelas que valem igual nos dois lados. Amizade no sentido clássico é assim: se você é meu amigo, eu sou seu amigo. Uma estrada de mão dupla entre duas cidades também. No desenho, essas arestas são traços simples, sem ponta de seta.
Já num grafo dirigido, cada aresta tem um sentido, marcado por uma seta. A ligação vale só na direção da seta. De A para B não garante nada de B para A. Esse tipo modela relações de mão única. Numa rede social onde você segue perfis, seguir é dirigido: você pode seguir uma celebridade sem que ela siga você de volta. Uma rua de sentido único é dirigida: dá para descer, não dá para subir. Links entre páginas da web também são dirigidos: um site aponta para outro, e o outro pode não retribuir. Escolher entre dirigido e não dirigido não é detalhe estético, muda quais caminhos existem no grafo.
Arestas que carregam um número: o peso
A segunda escolha é sobre o peso. Num grafo sem peso, uma aresta só diz se há ou não há ligação, como um interruptor: ligado ou desligado. Isso basta para perguntas do tipo dá para chegar de A a B? Mas muitas vezes a ligação tem um custo, e aí entra o peso: um número colado na aresta. Num mapa de estradas, o peso pode ser a distância em quilômetros; num grafo de voos, o preço da passagem; numa rede de computadores, o tempo de resposta. Com pesos, a pergunta fica mais rica: não é só se existe caminho, mas qual o caminho mais barato, mais curto ou mais rápido. Esse tipo de pergunta é o coração de aplicativos de rota, que buscam o menor caminho somando pesos.
🎮 Jogo da aula
Dirigido ou não dirigido?
Cada relação abaixo vira uma aresta. Classifique se ela é naturalmente dirigida (mão única) ou não dirigida (mão dupla).
Escolher o tipo certo antes de programar
As duas escolhas, direção e peso, se combinam livremente e dão quatro sabores de grafo: não dirigido sem peso, não dirigido com peso, dirigido sem peso e dirigido com peso. Antes de escrever qualquer linha, vale parar e responder duas perguntas sobre o problema. A relação vale nos dois sentidos ou tem direção? Cada ligação tem um custo que importa ou basta saber se existe? As respostas fixam o tipo de grafo e, com ele, o que o programa vai conseguir responder. Modelar um mapa de metrô para saber se dá para ir de uma estação a outra pede um grafo não dirigido sem peso. Modelar o mesmo metrô para achar a rota mais rápida pede peso (o tempo entre estações). Errar o tipo no começo custa caro depois.
Teste rápido
Você quer achar a rota mais barata entre duas cidades, considerando o preço de cada trecho. Que tipo de grafo modela isso?
Perguntas frequentes
- Quando devo usar grafo dirigido em vez de não dirigido?
- Use dirigido quando a relação tem sentido e pode não ser recíproca: seguir alguém, uma rua de mão única, um link, uma dependência entre tarefas. Use não dirigido quando a relação vale igual nos dois lados: amizade mútua, estrada de mão dupla, conexão física entre dois pontos. A pergunta chave é se A liga a B implica B liga a A.
- Um grafo pode ser dirigido e com peso ao mesmo tempo?
- Pode, e é muito comum. Um mapa de voos, por exemplo, costuma ser dirigido (o voo de ida pode ter preço diferente da volta) e com peso (o preço ou a duração). Direção e peso são escolhas independentes: você combina as duas conforme o problema. Isso dá quatro tipos possíveis de grafo.
- O que significa o peso de uma aresta ser negativo?
- Um peso negativo representa um custo que na verdade é um ganho, como um trecho que devolve dinheiro ou tempo. Alguns algoritmos de menor caminho lidam bem com pesos negativos e outros não, então é um caso que exige cuidado. Na maioria dos problemas do dia a dia os pesos são positivos (distâncias, tempos, preços).
- Grafo sem peso é o mesmo que peso igual a um?
- Na prática, sim. Um grafo sem peso pode ser tratado como se toda aresta tivesse peso um, o que faz o menor caminho virar simplesmente o caminho com menos arestas, ou seja, menos passos. Por isso a busca em largura, que você verá adiante, acha o menor caminho em número de passos em grafos sem peso.
- Existe aresta que liga um vértice a ele mesmo?
- Existe, e se chama laço (ou self-loop). É uma aresta que sai de um vértice e volta ao mesmo vértice. Aparece em alguns modelos, como um estado que transita para si próprio numa máquina de estados. Muitos grafos simples não usam laços, mas eles são válidos quando o problema pede.
- Como represento uma relação que vale nos dois sentidos num grafo dirigido?
- Você coloca duas arestas dirigidas, uma em cada sentido: uma de A para B e outra de B para A. Assim, um grafo dirigido consegue imitar um não dirigido quando preciso. É por isso que o grafo dirigido é considerado o modelo mais geral: o não dirigido é um caso em que toda aresta tem sua companheira no sentido oposto.
Fontes
Seu progresso fica salvo neste aparelho. Assinantes sincronizam entre os aparelhos.