Planeta anão
Plutão
O planeta anão mais famoso do Sistema Solar, com uma lua quase do tamanho dele, visto pelo Hubble como um punhado de pontos em 2006.

Crédito NASA, ESA, and M. Showalter (SETI Institute) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Tipo
- Planeta anão
- Observado por
- Hubble Space Telescope
- Imagem publicada
- julho de 2012
- Original do acervo
- 2.220 × 2.472 px5 megapixels
Plutão foi descoberto em 1930 e passou 76 anos sendo chamado de nono planeta. Em 2006 a União Astronômica Internacional adotou uma definição formal de planeta e criou a categoria de planeta anão, na qual Plutão se enquadra. A mudança não alterou nada sobre o objeto em si: alterou a caixa em que ele é guardado, e isso rendeu mais discussão pública do que qualquer outra decisão de nomenclatura astronômica das últimas décadas.
Fisicamente, Plutão é um corpo pequeno e gelado que orbita o Sol muito além de Netuno, numa região povoada por milhares de objetos semelhantes. O diâmetro é de cerca de dois terços do da Lua da Terra. A superfície tem gelos de nitrogênio, metano e monóxido de carbono, e a atmosfera é rarefeita e sazonal: ela se expande quando Plutão se aproxima do Sol e congela de volta sobre a superfície quando ele se afasta.
A imagem deste acervo é do Hubble, feita em fevereiro de 2006 com a câmera ACS num único filtro centrado em 606 nanômetros. Ela não mostra a superfície de Plutão. Mostra o sistema: Plutão como um ponto brilhante, Caronte ao lado dele e dois pontos muito mais fracos, Nix e Hidra, descobertos pouco antes em imagens do próprio Hubble. É um retrato de um sistema, não de um mundo.
Por que Plutão deixou de ser planeta?
A decisão de 2006 estabeleceu três critérios para um corpo ser planeta: orbitar o Sol, ter massa suficiente para a própria gravidade lhe dar forma aproximadamente esférica e ter limpado a vizinhança da órbita dele. Plutão cumpre os dois primeiros e falha no terceiro, porque compartilha a região onde orbita com uma multidão de outros corpos gelados.
O gatilho da discussão foi a descoberta de outros objetos comparáveis a Plutão além de Netuno, alguns deles de tamanho semelhante. Sem uma definição, seria preciso ou aceitar dezenas de novos planetas conforme os levantamentos avançassem ou traçar uma linha arbitrária. A comunidade optou por escrever um critério e aplicá-lo, e a aplicação tirou Plutão da lista.
O critério de limpar a vizinhança é o mais criticado dos três, porque depende do ambiente em que o corpo está e não apenas das propriedades dele. Um objeto do tamanho da Terra colocado no cinturão de Kuiper também não conseguiria limpar a órbita naquela distância. A crítica é legítima e continua sendo feita, mas a definição segue em vigor e Plutão segue classificado como planeta anão.
O que é o sistema Plutão e Caronte?
Caronte foi descoberto em 1978 e é grande em relação a Plutão de um jeito que não tem paralelo entre planetas e luas do Sistema Solar. A proporção de tamanho é tão alta que o centro de massa do par fica fora da superfície de Plutão, no espaço entre os dois corpos. Na prática, os dois giram em torno de um ponto vazio, e não um em torno do outro.
Além disso, o sistema está em rotação sincronizada dupla. Plutão sempre mostra a mesma face para Caronte e Caronte sempre mostra a mesma face para Plutão, algo que a Lua faz para a Terra em apenas um sentido. Para quem estivesse em Plutão, Caronte ficaria parado no mesmo ponto do céu, sem nascer nem se pôr, e só passaria pelas fases.
Hoje se conhecem cinco luas de Plutão. Caronte é de longe a maior; as outras quatro são pequenas e irregulares. Duas delas, Nix e Hidra, foram encontradas em imagens do Hubble em 2005 e batizadas pouco depois, e são justamente os dois pontos fracos que aparecem na imagem deste acervo, registrada em fevereiro de 2006. As outras duas foram identificadas em observações posteriores.
O que a imagem do Hubble consegue mostrar?
Muito pouco de Plutão e muito do sistema. O registro foi feito com a câmera ACS num filtro único de banda larga centrado em 606 nanômetros, no verde e amarelo do espectro visível. Com uma faixa só, não há cor: a imagem é essencialmente um mapa de brilho, e qualquer coloração aplicada depois é escolha de processamento.
O limite aqui é de resolução angular, não de sensibilidade. Visto da Terra, Plutão ocupa uma fração ínfima de segundo de arco, e mesmo o Hubble, que trabalha acima da atmosfera, não separa detalhes de superfície num alvo desse tamanho aparente. Toda tentativa de mapear a superfície a partir do espaço próximo à Terra produziu apenas manchas grosseiras, obtidas por técnicas indiretas.
O valor de imagens como esta está em outra coisa: em medir posições. Registrando o sistema repetidamente, acompanha-se o movimento de cada lua e determina-se a órbita delas. Foi assim que Nix e Hidra deixaram de ser dois pontinhos suspeitos e passaram a ser luas confirmadas, com período e distância orbital estabelecidos.
O que mudou depois da passagem da New Horizons?
Em julho de 2015 a sonda New Horizons passou pelo sistema de Plutão e transformou um ponto de luz num mundo com geografia. Foi um sobrevoo, não uma inserção em órbita: a sonda passou em alta velocidade, registrou o máximo possível durante a aproximação e seguiu adiante, transmitindo os dados por meses depois do encontro.
A imagem que ficou popular mostra uma região clara em forma de coração, batizada informalmente e depois nomeada Sputnik Planitia na parte principal. É uma planície de gelo de nitrogênio, e a superfície dela quase não tem crateras, o que indica renovação recente. Em corpos do Sistema Solar, contar crateras é a forma padrão de estimar idade de uma superfície, e uma superfície lisa significa que alguma coisa a apagou há pouco tempo em escala geológica.
Esse foi o resultado mais inesperado do sobrevoo. A expectativa razoável para um corpo pequeno e frio a essa distância do Sol era encontrar uma bola de gelo morta e coberta de crateras acumuladas por bilhões de anos. O que apareceu foi um mundo com atividade geológica, montanhas de gelo de água e sinais de movimentação de material na superfície.
Onde Plutão fica no Sistema Solar?
Plutão orbita o Sol no cinturão de Kuiper, a região além de Netuno povoada por corpos gelados remanescentes da formação do Sistema Solar. A órbita dele é bem mais alongada e mais inclinada que a dos planetas, e leva cerca de 248 anos terrestres para ser completada. Durante uma parte desse percurso, Plutão fica mais perto do Sol do que Netuno.
Isso nunca resulta em risco de colisão, e a razão é uma ressonância orbital. Plutão completa duas voltas em torno do Sol no mesmo tempo em que Netuno completa três, e essa relação exata mantém os dois sempre afastados quando as órbitas se cruzam. É um arranjo estável, mantido pela própria gravidade dos dois corpos, e não uma coincidência de fase que possa se desfazer.
A distância variável tem consequência direta na atmosfera. Perto do Sol, os gelos de nitrogênio sublimam e formam uma atmosfera rarefeita; longe, boa parte desse gás volta a se depositar na superfície. Plutão é um corpo cujo clima muda ao longo de um ano que dura dois séculos e meio, e nenhuma missão observou mais que um pedaço curto desse ciclo.
Os números deste objeto
| Identificação no catálogo | solar:pluto |
|---|---|
| Classificação | planeta anãodefinição da União Astronômica Internacional, 2006 |
| Corpos citados no metadado da imagem | Plutão, Caronte, Nix e Hidra |
| Data da observação | 22 de fevereiro de 2006metadado do publicador |
| Instrumento | ACS, no Hubble |
| Filtro usado | 606 nanômetros, banda larga no visível |
| Período orbital | cerca de 248 anos terrestres |
| Imagens no acervo | 1 |
O que reparar nesta imagem
- Plutão não aparece como discoO ponto mais brilhante da imagem é Plutão, e ele é só um ponto. Nenhum detalhe de superfície é visível: o limite aqui é de resolução angular, não de sensibilidade do telescópio.
- Caronte bem ao ladoO segundo ponto brilhante, próximo do primeiro, é Caronte. A proximidade e o brilho comparável na imagem já sugerem por que o par costuma ser tratado como sistema duplo.
- Os dois pontos fracosBem mais afastados e muito mais tênues estão Nix e Hidra, encontradas em imagens do Hubble em 2005. Elas exigiram exposições dedicadas para serem separadas do brilho de Plutão.
- A ausência de cor realO registro usou um filtro único, em 606 nanômetros. Sem uma segunda faixa não há como medir cor, então a imagem é uma medida de brilho e qualquer tom aplicado é de processamento.
Por que esta imagem tem essas cores
Estas cores não são as que seus olhos veriam. Parte da luz registrada está fora da faixa visível, então cada filtro recebeu uma cor para que a informação pudesse aparecer numa tela.
ultravioletainfravermelho e ondas de rádio
- Azulultravioleta · WFC3 · U350 nminvisível ao olho
Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESA/Hubble junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.
Dá para ver isso daqui?
Este objeto não é visível a olho nu. A imagem existe porque um telescópio acumulou luz por muito tempo, com instrumentos que enxergam faixas que o olho humano não alcança.
Ver isto no céu de hoje
- O céu de hoje na sua cidadePlutão está muito além do olho nu e de binóculo comum, mas a página mostra o quanto o céu da sua região deixa ver.
O que ainda não se sabe
A origem da atividade geológica de Plutão não está resolvida. Um corpo pequeno e distante do Sol deveria ter esfriado por completo há muito tempo, e ainda assim a superfície mostra sinais de renovação recente, o que exige alguma fonte de calor interno ou algum mecanismo de movimentação de gelo que os modelos ainda não descrevem bem. Segue em discussão se existe um oceano de água líquida sob a crosta gelada, hipótese levantada a partir das observações da New Horizons e não confirmada. A formação do par Plutão e Caronte, provavelmente resultado de um impacto gigante, também não tem um cenário fechado, e o próprio critério de limpar a vizinhança, que retirou Plutão da lista de planetas, continua contestado por parte da comunidade.
Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.
Uma coisa que quase ninguém sabe
Plutão nunca completou uma volta em torno do Sol desde que foi descoberto. O período orbital é de cerca de 248 anos terrestres e a descoberta foi em 1930, então falta ainda muito mais de um século para o objeto voltar ao ponto onde estava quando o encontraram. Nenhum ser humano vivo verá esse ciclo se fechar.
Outras imagens deste objeto

Crédito NASA, ESA, and M. Showalter (SETI Institute) ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA, and M. Showalter (SETI Institute) ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA & ESA ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA and M. Buie (Southwest Research Institute) ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA and M. Buie (Southwest Research Institute) ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA and M. Buie (Southwest Research Institute) ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA and M. Buie (Southwest Research Institute) ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA, H. Weaver (Johns Hopkins University/Applied Physics Lab), A. Stern (Southwest Research Institute), and the HST Pluto Companion Search Team ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA, H. Weaver (Johns Hopkins University/Applied Physics Lab), A. Stern (Southwest Research Institute), and the HST Pluto Companion Search Team ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA, H. Weaver (JHU/APL), A. Stern (SwRI), and the HST Pluto Companion Search Team ESA/Hubble CC BY 4.0

Crédito NASA, ESA, H. Weaver (JHU/APL), A. Stern (SwRI), and the Hubble Space Telescope Pluto Companion Search Team ESA/Hubble CC BY 4.0
Baixar esta imagem
A licença CC BY 4.0 permite usar a imagem, inclusive comercialmente, desde que o crédito apareça inteiro e visível junto dela. Copie o crédito acima junto com o arquivo.
Continue explorando
Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Júpiter
Crédito NASA, ESA, A. Simon (Goddard Space Flight Center), and M.H. Wong (University of California, Berkeley) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Saturno
Crédito NASA, ESA, A. Simon (Goddard Space Flight Center), and M.H. Wong (University of California, Berkeley) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Urano
Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, J. DePasquale (STScI) ESA/Webb CC BY 4.0
- Netuno
Crédito NASA, ESA and the Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Marte
Crédito NASA, ESA, the Hubble Heritage Team (STScI/AURA), J. Bell (ASU), and M. Wolff (Space Science Institute) ESA/Hubble CC BY 4.0
Perguntas frequentes
- Por que Plutão não é mais considerado planeta?
- Plutão foi reclassificado em 2006, quando a União Astronômica Internacional adotou três critérios para definir planeta: orbitar o Sol, ter forma aproximadamente esférica pela própria gravidade e ter limpado a vizinhança da órbita. Plutão atende aos dois primeiros e falha no terceiro, porque divide a região onde orbita com muitos outros corpos gelados. A decisão criou a categoria de planeta anão, na qual ele foi colocado. Nada sobre o objeto mudou, apenas a classificação.
- Quantas luas Plutão tem?
- Plutão tem cinco luas conhecidas. Caronte, descoberta em 1978, é de longe a maior e grande o bastante em relação a Plutão para que o centro de massa do par fique fora da superfície do planeta anão. As outras quatro são pequenas e de forma irregular. Duas delas, Nix e Hidra, foram identificadas em imagens do Hubble em 2005 e aparecem como pontos fracos na imagem deste acervo, registrada em fevereiro de 2006.
- Por que a imagem do Hubble não mostra a superfície de Plutão?
- Porque o limite é de resolução angular. Visto da Terra, Plutão ocupa uma fração muito pequena de segundo de arco, e nem o Hubble, trabalhando acima da atmosfera, consegue separar detalhes num alvo desse tamanho aparente. O que o telescópio registra é um ponto brilhante. Mapas grosseiros da superfície feitos antes de 2015 vieram de técnicas indiretas, e só o sobrevoo da sonda New Horizons revelou a geografia de Plutão em detalhe.
- Plutão é maior ou menor que a Lua?
- Plutão é menor. O diâmetro dele fica em torno de dois terços do diâmetro da Lua da Terra, o que faz dele um corpo pequeno mesmo para os padrões de satélites do Sistema Solar. Ainda assim, é grande o suficiente para a própria gravidade lhe dar forma aproximadamente esférica, o que satisfaz um dos três critérios da definição de planeta e o qualifica como planeta anão.
- Plutão pode colidir com Netuno?
- Não. Embora a órbita de Plutão cruze a de Netuno e ele passe parte do tempo mais perto do Sol que o planeta, os dois estão numa ressonância orbital: Plutão completa duas voltas em torno do Sol no mesmo intervalo em que Netuno completa três. Essa relação exata garante que os dois nunca se encontrem próximos quando as órbitas se cruzam. É um arranjo estável, sustentado pela gravidade dos próprios corpos.
- Plutão tem atmosfera?
- Sim, uma atmosfera rarefeita e sazonal, composta principalmente de nitrogênio com metano e monóxido de carbono. Como a órbita de Plutão é bastante alongada, a distância ao Sol varia muito ao longo dos cerca de 248 anos terrestres do período orbital. Quando ele se aproxima, os gelos da superfície sublimam e a atmosfera se expande; quando se afasta, boa parte desse gás congela de volta sobre o solo.
- O que a sonda New Horizons descobriu em Plutão?
- A New Horizons sobrevoou o sistema em julho de 2015 e revelou um mundo geologicamente ativo, ao contrário da bola de gelo inerte que se esperava. A superfície mostra uma grande planície de gelo de nitrogênio, chamada Sputnik Planitia, com pouquíssimas crateras, sinal de renovação recente em escala geológica. Também apareceram montanhas de gelo de água e indícios de movimentação de material. A sonda não entrou em órbita: passou em alta velocidade e transmitiu os dados durante meses.
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
Continue explorando
Como citar esta página
ValorFinal. Plutão. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/plutao. Consultado em: 23/08/2026.




