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ObservatórioAstronomia

Planeta

Júpiter

O maior planeta do Sistema Solar, uma bola de hidrogênio sem chão firme, onde gira uma tempestade mais larga que a Terra.

Júpiter, planeta, em imagem do Hubble Space Telescope
"A Close-Up Look at Jupiter's Dynamic Atmosphere", como o acervo nomeou esta imagem.O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA revela a beleza intrincada e detalhada das nuvens de Júpiter nesta nova imagem feita em 27 de junho de 2019 pela Wide Field Camera 3 do Hubble, quando o planeta estava a 644 milhões de quilômetros da Terra.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, A. Simon (Goddard Space Flight Center), and M.H. Wong (University of California, Berkeley) ESA/Hubble CC BY 4.0

Tipo
Planeta
Observado por
Hubble Space Telescope, Very Large Telescope
Imagem publicada
agosto de 2019
Original do acervo
7.200 × 3.196 px23 megapixels

Júpiter tem mais massa que todos os outros planetas do Sistema Solar somados, e com sobra. São cerca de 318 vezes a massa da Terra e aproximadamente 140 mil quilômetros de diâmetro no equador, o que faz dele um objeto de outra categoria: se tivesse nascido com dezenas de vezes mais massa, teria acendido fusão nuclear no núcleo e seria uma estrela pequena em vez de um planeta grande.

Ele é feito basicamente de hidrogênio e hélio, na mesma proporção aproximada do Sol, e não tem superfície sólida em nenhum sentido útil da palavra. Descer em Júpiter seria atravessar camadas cada vez mais densas de gás até a pressão transformar o hidrogênio num fluido que conduz eletricidade, o chamado hidrogênio metálico. É esse oceano condutor girando rápido que produz o campo magnético mais forte de todos os planetas.

Nas imagens deste acervo, Júpiter aparece de várias formas: retratos anuais do Hubble em luz visível, uma imagem térmica do VLT em infravermelho médio, registros da conjunção com Saturno em dezembro de 2020 e fotos de paisagem em que ele é apenas um ponto muito brilhante acima de um observatório. Cada uma responde a uma pergunta diferente sobre o mesmo planeta.

Onde fica a superfície de Júpiter?

Em lugar nenhum. O que se costuma chamar de superfície é uma convenção: o nível em que a pressão atmosférica equivale à pressão ao nível do mar na Terra. É a partir dele que se medem altitudes e se define o raio do planeta, mas não existe nada ali além de gás.

Abaixo desse nível a densidade cresce continuamente. Em profundidades suficientes, o hidrogênio deixa de se comportar como gás e passa a se comportar como um fluido metálico, em que os elétrons circulam livremente. Não há uma linha nítida entre um estado e outro: a transição é gradual, sem interface visível.

No centro deve haver material mais pesado, restos do corpo que serviu de semente para a formação do planeta. Medições de gravidade feitas por sondas em órbita sugerem que esse núcleo não é compacto e bem delimitado, e sim difuso, misturado com as camadas de hidrogênio acima. É um resultado que contrariou o modelo mais simples e continua sendo trabalhado.

Por que Júpiter tem listras?

Júpiter completa uma rotação em pouco menos de dez horas, o giro mais rápido entre os planetas. Essa velocidade tem duas consequências visíveis. A primeira é a forma: o planeta é perceptivelmente achatado nos polos e mais largo no equador, porque a rotação empurra a matéria para fora. A segunda é a organização da atmosfera em faixas paralelas ao equador.

As faixas alternam zonas claras e cinturões escuros. Nas zonas, o gás está subindo, esfria ao subir e forma nuvens altas de amônia congelada, que refletem bem a luz e aparecem esbranquiçadas. Nos cinturões, o gás está descendo, as nuvens altas se dissipam e passa a ser possível enxergar camadas mais profundas, com outra composição e outra cor.

Entre uma faixa e outra correm ventos em direções opostas, e é nessa fronteira que aparecem os redemoinhos e as ondulações. Comparar os retratos do Hubble de anos diferentes mostra que o padrão geral persiste mas os detalhes mudam o tempo todo: cinturões escurecem e clareiam, tempestades nascem e se fundem.

A Grande Mancha Vermelha está encolhendo?

Está, e isso é uma das razões pelas quais se fotografa Júpiter todo ano. A Grande Mancha Vermelha é um sistema de alta pressão que gira no sentido anti-horário no hemisfério sul do planeta, e as medições feitas ao longo do último século mostram que ela vem diminuindo de largura e ficando mais arredondada. Ainda assim, continua mais larga que a Terra.

A comparação com tempestades terrestres ajuda mas engana. Um furacão na Terra dura dias e se desfaz ao encontrar o continente ou água fria. Júpiter não tem continente nem superfície para dissipar energia por atrito, e por isso um vórtice pode persistir por muito mais tempo, alimentado pelos ventos das faixas vizinhas.

A cor não tem explicação fechada. A hipótese mais discutida é que compostos trazidos das camadas profundas sejam alterados pela radiação ultravioleta do Sol no topo da tempestade, produzindo moléculas avermelhadas. Qual composto exatamente, ninguém confirmou em laboratório de forma definitiva.

O que os filtros do Hubble mostram em Júpiter?

Os metadados das imagens do Hubble no acervo trazem filtros identificados como cálcio ionizado em 395 nanômetros, oxigênio duplamente ionizado em 502 nanômetros e oxigênio neutro em 631 nanômetros. Esses rótulos descrevem para que os filtros foram projetados quando aplicados a nebulosas e galáxias, e não gases presentes em Júpiter.

Aplicados a um planeta, eles funcionam apenas como três fatias estreitas do espectro visível: uma no violeta, uma no verde e uma no vermelho. Combinar as três produz uma imagem colorida próxima do que o olho veria, com a vantagem de que faixas estreitas evidenciam melhor pequenas diferenças de composição e de altura das nuvens.

É um bom exemplo de por que ler metadado sem contexto leva a erro. O nome do filtro conta a história do instrumento, não a química do alvo.

O que aparece quando se olha Júpiter em infravermelho térmico?

A imagem do VLT feita com o instrumento VISIR, em cerca de 5 micrômetros, muda completamente a leitura do planeta. Nessa faixa não se enxerga luz solar refletida: enxerga-se calor saindo de dentro. As regiões claras da imagem térmica não são nuvens brilhantes, e sim aberturas relativamente livres de nuvens por onde a radiação das camadas profundas escapa.

Isso revela um fato importante sobre Júpiter: ele emite mais energia do que recebe do Sol. O excedente vem de contração lenta e do calor remanescente da formação, ainda sendo liberado bilhões de anos depois. Um planeta assim não é apenas iluminado pelo Sol, ele é uma fonte de calor por conta própria.

A consequência prática é que a meteorologia joviana não depende só da luz solar. Existe convecção alimentada de baixo para cima, e é uma das razões pelas quais as tempestades duram tanto e os padrões de nuvens são tão energéticos comparados aos da Terra.

O que reparar nesta imagem

  • O achatamento nos polosCompare a largura equatorial com a altura do disco. Júpiter é visivelmente mais largo que alto, e isso é consequência direta de completar uma rotação em menos de dez horas.
  • As bordas das faixasA parte mais interessante não é o centro das listras, é a fronteira entre elas. Ali os ventos correm em direções opostas e aparecem festões, ondulações e pequenos vórtices.
  • A sombra de uma luaEm algumas imagens aparece um ponto preto perfeitamente redondo sobre as nuvens. É a sombra de uma das luas galileanas projetada no planeta, não uma mancha atmosférica.
  • O ponto na foto de paisagemNas imagens feitas do solo em observatórios, Júpiter é apenas um ponto muito brilhante. A ausência de detalhe não é defeito da foto: é o que qualquer câmera registra a essa distância sem ampliação.

Por que esta imagem tem essas cores

As cores desta imagem se aproximam do que um olho humano veria, se ele fosse sensível o bastante: cada filtro registrou luz visível e recebeu uma cor coerente com o próprio comprimento de onda.

ultravioletainfravermelho e ondas de rádio

  • Azulluz visível · WFC3 · Ca II395 nmolho enxerga
  • Verdeluz visível · WFC3 · O III502 nmolho enxerga
  • Vermelholuz visível · WFC3 · O I631 nmolho enxerga

Estes dados vêm do metadado publicado pelo próprio ESA/Hubble junto com a imagem, filtro por filtro. Nada aqui é estimativa nossa.

Dá para ver isso daqui?

Este é um dos poucos objetos do acervo que dá para encontrar a olho nu, em céu escuro. O que você vai ver é bem mais pálido e menor que a imagem: telescópios acumulam luz por horas, e o olho não.

Ver isto no céu de hoje

O que ainda não se sabe

Não se sabe há quanto tempo a Grande Mancha Vermelha existe. Registros de uma mancha em Júpiter aparecem desde o século 17, mas há um intervalo grande de observações inconclusivas, e não é possível afirmar que se trata da mesma tempestade contínua. Também segue sem resposta a composição exata do pigmento que dá a cor vermelha, e a estrutura interna do planeta continua em revisão desde que medições de gravidade indicaram um núcleo difuso em vez de um núcleo rochoso bem definido.

Divulgação que só conta o que já está resolvido dá a impressão errada de que a astronomia acabou. Ela não acabou, e este bloco existe para separar o que está estabelecido do que continua em disputa entre pesquisadores.

Uma coisa que quase ninguém sabe

Júpiter tem mais que o dobro da massa de todos os outros planetas do Sistema Solar somados. O efeito é tão grande que o centro de massa entre ele e o Sol fica ligeiramente fora da superfície solar, ou seja, o Sol não gira exatamente em torno do próprio centro por causa de Júpiter.

Outras imagens deste objeto

Júpiter, planeta, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFPC2.Esta é uma imagem do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA dos locais de impacto dos fragmentos "D" e "G" do cometa Shoemaker-Levy 9, que colidiram com o planeta gigante Júpiter. A figura foi processada para corrigir a curvatura do disco de Júpiter, de modo que a mancha pareça plana, como se o observador estivesse pairando diretamente acima dela.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito HST Comet Team and NASA/ESA ESA/Hubble CC BY 4.0

Júpiter, planeta, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFC3.O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA revela a beleza intrincada e detalhada das nuvens de Júpiter nesta nova imagem feita em 27 de junho de 2019 pela Wide Field Camera 3 do Hubble, quando o planeta estava a 644 milhões de quilômetros da Terra, sua menor distância neste ano.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, A. Simon (Goddard Space Flight Center), and M.H. Wong (University of California, Berkeley) ESA/Hubble CC BY 4.0

Júpiter, planeta, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFC3.Esta imagem de Júpiter em luz visível foi criada a partir de dados captados em 11 de janeiro de 2017 com a Wide Field Camera 3 do Telescópio Espacial Hubble. Perto do topo, uma longa feição marrom chamada "barcaça marrom" se estende por 72.000 quilômetros (quase 45.000 milhas) na direção leste-oeste.Descrição do acervo NOIRLab, traduzida.

Crédito NASA/ESA/NOIRLab/NSF/AURA/M.H. Wong and I. de Pater (UC Berkeley) et al.Acknowledgments: M. Zamani NOIRLab CC BY 4.0

Júpiter, planeta, em imagem do Very Large Telescope
Very Large Telescope, instrumento VISIR.Preparando-se para a chegada iminente da sonda Juno da NASA em julho de 2016, astrônomos usaram o Very Large Telescope do ESO para obter novas e espetaculares imagens de Júpiter no infravermelho com o instrumento VISIR. Elas fazem parte de uma campanha para criar mapas de alta resolução do planeta gigante que orientem o trabalho a ser realizado pela Juno nos meses seguintes, ajudando os astrônomos a entender melhor o gigante gasoso.Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/L. Fletcher ESO CC BY 4.0

Júpiter, planeta, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFC3.Esta nova imagem do maior planeta do Sistema Solar, Júpiter, foi feita durante o programa Outer Planet Atmospheres Legacy (OPAL). As imagens desse programa permitem determinar as velocidades dos ventos de Júpiter, identificar diferentes fenômenos em sua atmosfera e acompanhar mudanças em suas feições mais famosas.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, A. Simon (GSFC), M. Wong (UC Berkeley), and G. Orton (JPL-Caltech) ESA/Hubble CC BY 4.0

Júpiter, planeta, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFC3.Esta nova imagem do maior planeta do Sistema Solar, Júpiter, foi feita durante o programa Outer Planet Atmospheres Legacy (OPAL). As imagens desse programa permitem determinar as velocidades dos ventos de Júpiter, identificar diferentes fenômenos em sua atmosfera e acompanhar mudanças em suas feições mais famosas.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, A. Simon (GSFC), M. Wong (UC Berkeley), and G. Orton (JPL-Caltech) ESA/Hubble CC BY 4.0

Júpiter, planeta, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFPC2.Uma imagem de Júpiter em luz visível do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA (HST) em 11 de maio de 2007, mostrando o padrão turbulento gerado pelas duas plumas na parte superior esquerda de Júpiter.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA/ESA, IRTF, and A. Sÿnchez-Lavega and R. Hueso (Universidad del Pa­s Vasco, Spain) ESA/Hubble CC BY 4.0

Júpiter, planeta, em imagem do Very Large Telescope
Very Large Telescope, instrumento ESO Multi-conjugate Adaptive optics Demonstrator (MAD).Imagem impressionante de Júpiter feita em luz infravermelha na noite de 17 de agosto de 2008 com o instrumento protótipo Multi-Conjugate Adaptive Optics Demonstrator (MAD), montado no Very Large Telescope do ESO. Esta foto em cores falsas é a combinação de uma série de imagens obtidas ao longo de cerca de 20 minutos, através de três filtros diferentes (2, 2,14 e 2,16 mícrons).Descrição do acervo ESO, traduzida.

Crédito ESO/F. Marchis, M. Wong, E. Marchetti, P. Amico, S. Tordo ESO CC BY 4.0

Júpiter, planeta, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento STIS .Esta imagem ultravioleta de Júpiter foi feita com o Hubble Space Telescope Imaging Spectrograph (STIS) em 26 de novembro de 1998 e dá uma boa ideia das observações que o Hubble fará nas próximas semanas. As emissões brilhantes acima do fundo azul-escuro são luzes de auroras, semelhantes às vistas sobre as regiões polares da Terra.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA & John T. Clarke (Univ. of Michigan) ESA/Hubble CC BY 4.0

Júpiter, planeta, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFC3.Esta imagem mais recente de Júpiter, feita pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA em 25 de agosto de 2020, foi captada quando o planeta estava a 653 milhões de quilômetros da Terra. A visão nítida do Hubble dá aos pesquisadores um boletim meteorológico atualizado da atmosfera turbulenta do planeta monstruoso, incluindo uma notável nova tempestade em formação e uma prima da Grande Mancha Vermelha mudando de cor, de novo.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, A. Simon (Goddard Space Flight Center), and M. H. Wong (University of California, Berkeley) and the OPAL team. ESA/Hubble CC BY 4.0

Júpiter, planeta, em imagem do Hubble Space Telescope
Hubble Space Telescope, instrumento WFC3.A previsão para Júpiter é de tempo tempestuoso em baixas latitudes do norte. Uma proeminente fileira de tempestades alternadas está visível, formando o que alguns astrônomos planetários chamam de "rua de vórtices". Trata-se de um padrão ondulatório de ciclones e anticiclones aninhados, encaixados como as engrenagens alternadas de uma máquina que giram no sentido horário e anti-horário.Descrição do acervo ESA/Hubble, traduzida.

Crédito NASA, ESA, STScI, A. Simon (NASA-GSFC), M. H. Wong (UC Berkeley), J. DePasquale (STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0

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Créditos das imagens desta página

Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.

  • Grande Mancha Vermelha

    Crédito NASA, ESA, A. Simon (Goddard Space Flight Center), and M.H. Wong (University of California, Berkeley) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Saturno

    Crédito NASA, ESA, A. Simon (Goddard Space Flight Center), and M.H. Wong (University of California, Berkeley) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Urano

    Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, J. DePasquale (STScI) ESA/Webb CC BY 4.0

  • Netuno

    Crédito NASA, ESA and the Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Marte

    Crédito NASA, ESA, the Hubble Heritage Team (STScI/AURA), J. Bell (ASU), and M. Wolff (Space Science Institute) ESA/Hubble CC BY 4.0

  • Vênus

    Crédito Z. Bardon (bardon.cz)/ESO CC BY 4.0

Perguntas frequentes

Júpiter tem superfície onde se poderia pousar?
Não. Júpiter é composto essencialmente de hidrogênio e hélio, e a densidade aumenta de forma contínua conforme se desce, sem nenhuma interface sólida. O que se chama de superfície é uma convenção: o nível em que a pressão iguala a pressão atmosférica ao nível do mar na Terra. Abaixo dele, o hidrogênio vai se comportando como líquido e depois como fluido metálico. Uma sonda que descesse seria esmagada pela pressão muito antes de encontrar qualquer coisa firme.
Qual o tamanho da Grande Mancha Vermelha?
A Grande Mancha Vermelha é atualmente mais larga que a Terra inteira, embora venha encolhendo de forma medida ao longo do último século e tenha ficado mais arredondada com o tempo. É um sistema de alta pressão que gira no hemisfério sul de Júpiter, alimentado pelos ventos das faixas vizinhas. Como o planeta não tem superfície sólida para dissipar a energia da tempestade por atrito, um vórtice desses pode persistir por tempo muito maior que qualquer furacão terrestre.
Por que Júpiter tem listras?
Porque ele gira muito rápido, completando uma volta em pouco menos de dez horas, e a rotação organiza a atmosfera em faixas paralelas ao equador. Nas zonas claras o gás sobe, esfria e forma nuvens altas de amônia congelada, que refletem bastante luz. Nos cinturões escuros o gás desce, as nuvens altas somem e ficam visíveis camadas mais profundas, com outra cor. Entre faixas vizinhas os ventos correm em direções opostas, o que gera turbulência na fronteira.
Júpiter quase virou uma estrela?
Não chega perto disso, apesar da frase circular bastante. Para acender fusão de hidrogênio no núcleo, um objeto precisa de algo em torno de oitenta vezes a massa de Júpiter. Mesmo as anãs marrons, que fazem fusão limitada de deutério e não são estrelas plenas, exigem mais de uma dezena de massas jovianas. Júpiter é feito de material parecido com o do Sol, mas em quantidade insuficiente por uma margem enorme.
Por que o Hubble fotografa Júpiter todos os anos?
Porque a atmosfera do planeta muda o tempo todo e só uma série longa de imagens comparáveis permite acompanhar essas mudanças. Cinturões escurecem e clareiam ao longo de anos, tempestades aparecem, se fundem e desaparecem, e a Grande Mancha Vermelha vem encolhendo. Um retrato isolado registra um instante; a sequência anual, feita sempre com os mesmos filtros e a mesma câmera, vira um registro climático de longo prazo.
Júpiter emite calor próprio?
Sim. Ele irradia mais energia do que recebe do Sol, e o excedente vem do calor remanescente da própria formação somado a uma contração gravitacional muito lenta que continua acontecendo. Isso aparece com clareza em imagens térmicas em infravermelho médio, como a feita pelo VLT em torno de 5 micrômetros, nas quais as áreas brilhantes são aberturas nas nuvens por onde o calor interno escapa, e não regiões iluminadas pelo Sol.

Fontes oficiais

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Como citar esta página

ValorFinal. Júpiter. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/jupiter. Consultado em: 23/08/2026.