Estudo ValorFinalImóveis

Quanto custa comprar um imóvel além do preço anunciado

Estudo ValorFinal sobre a segunda conta da compra de imóvel, a que aparece entre a proposta e a mudança. Num imóvel de R$ 400 mil financiado, são R$ 120.800 no ato contra R$ 80.000 de entrada combinada. Mostra também que o custo de comprar é regressivo, por causa da taxa fixa de avaliação, e que a escritura pública separada não existe na compra financiada pelo SFH.

Metodologia ValorFinalLei 4.380/1964 (art. 61) / CF art. 156, II / CTN arts. 35 a 42 / Lei 6.015/1973 / Lei 10.169/2000Revisado pela equipe editorial ValorFinal, sob responsabilidade de Cesar Gargiulo
R$ 40.800é quanto a compra de um imóvel de R$ 400 mil exige ALÉM da entrada de R$ 80 mil, somando ITBI, registro, avaliação bancária, reforma, mobília e mudança. O dinheiro necessário no dia da assinatura chega a R$ 120.800.

Principais conclusões

  • Os custos obrigatórios da compra ficam entre 4,05% e 5,45% do preço do imóvel nas faixas calculadas, somando ITBI, registro e avaliação bancária.
  • O custo de comprar é regressivo: a taxa fixa de avaliação pesa 1,75% num imóvel de R$ 200 mil e 0,35% num de R$ 1 milhão, então quem compra mais barato paga proporcionalmente mais.
  • Na compra financiada pelo SFH não existe escritura pública separada: o contrato tem força de escritura pelo art. 61, parágrafo 5º, da Lei 4.380/1964, o que poupa R$ 4.000 num imóvel de R$ 400 mil.
  • À vista os custos obrigatórios são 4,7% do preço em todas as faixas, porque ali não há nenhum valor fixo na conta.

Todo mundo que planeja comprar um imóvel aprende cedo a primeira conta: o banco financia uma parte e a entrada sai do bolso. O que quase ninguém calcula com antecedência é a segunda conta, a que aparece entre a assinatura da proposta e a mudança. Este estudo põe número nela, usando a engine aberta da nossa calculadora de custo total da compra do imóvel.

O resultado curto: num imóvel de R$ 400.000 comprado financiado, com entrada de 20%, a pessoa precisa de R$ 120.800 no dia da assinatura. A entrada combinada é de R$ 80.000. A diferença, R$ 40.800, é a parte da compra que raramente entra no planejamento e que costuma ser descoberta tarde demais.

A conta que ninguém faz antes

Os custos de comprar um imóvel se dividem em dois grupos com naturezas bem diferentes. De um lado estão os custos obrigatórios, que não têm como evitar porque são imposto e cartório: o ITBI, cobrado pelo município para transferir o bem, o registro na matrícula, sem o qual a propriedade simplesmente não muda de dono, e, na compra financiada, a taxa que o banco cobra para avaliar o imóvel que vai ficar em garantia.

Do outro lado estão os custos de instalação, que variam enormemente e que muita gente prefere não somar enquanto está escolhendo o imóvel: reforma, mobília, mudança, a primeira cota de condomínio e o IPTU proporcional do ano. Eles não são obrigatórios no sentido legal, mas são inevitáveis no sentido prático, porque um apartamento sem geladeira e sem cama não é uma casa.

A diferença entre os dois grupos importa porque o primeiro é previsível e o segundo é controlável. Dá para adiar a mobília, não dá para adiar o ITBI.

Quanto custa, por faixa de preço, na compra financiada

A tabela abaixo mostra a conta completa em cinco faixas de preço, todas na compra financiada pelo Sistema Financeiro da Habitação, com entrada de 20%, ITBI de 3%, registro de 0,7% e R$ 3.500 de avaliação bancária. Os custos de instalação usam 5% do valor do imóvel entre reforma e mobília, mais R$ 2.500 de mudança.

Valor do imóvelEntradaITBIRegistroAvaliaçãoObrigatórios% do preçoDinheiro no ato
R$ 200.000R$ 40.000R$ 6.000R$ 1.400R$ 3.500R$ 10.9005,45%R$ 63.400
R$ 300.000R$ 60.000R$ 9.000R$ 2.100R$ 3.500R$ 14.6004,87%R$ 92.100
R$ 400.000R$ 80.000R$ 12.000R$ 2.800R$ 3.500R$ 18.3004,58%R$ 120.800
R$ 600.000R$ 120.000R$ 18.000R$ 4.200R$ 3.500R$ 25.7004,28%R$ 178.200
R$ 1.000.000R$ 200.000R$ 30.000R$ 7.000R$ 3.500R$ 40.5004,05%R$ 293.000

A coluna do dinheiro no ato é a que muda o planejamento de quem está juntando. Ela soma entrada, custos obrigatórios e custos de instalação, que é o que realmente precisa estar disponível para a compra acontecer e o imóvel virar moradia.

O custo de comprar é regressivo

Há um padrão na tabela que merece atenção e que não aparece quando se olha só um caso. Os custos obrigatórios caem de 5,45% do preço no imóvel de R$ 200.000 para 4,05% no de R$ 1.000.000. Quem compra mais barato paga proporcionalmente mais para comprar.

A explicação é simples e está na composição. ITBI e registro são percentuais, então crescem junto com o preço e não mudam a proporção. Mas a taxa de avaliação bancária é um valor fixo em reais: os mesmos R$ 3.500 no imóvel de R$ 200.000 e no de R$ 1.000.000. Num imóvel de duzentos mil essa taxa sozinha vale 1,75% do preço; num de um milhão, 0,35%.

O efeito é pequeno em reais e concreto em orçamento apertado, que é exatamente quem compra na faixa mais baixa.

A escritura que a compra financiada não paga

Este é o ponto em que a maioria das listas de custos de compra erra, e erra para cima. Quase toda orientação sobre o assunto manda reservar dinheiro para ITBI, escritura e registro, nessa ordem, como se os três sempre existissem. Na compra financiada pelo Sistema Financeiro da Habitação, a escritura pública separada não existe.

O art. 61, § 5º, da Lei 4.380/1964 dá ao contrato de financiamento habitacional força de escritura pública. O instrumento particular assinado com o banco é o título que vai a registro, e não há um segundo ato a ser lavrado e pago em tabelionato de notas. Quem soma escritura numa compra financiada está reservando dinheiro para uma etapa que não vai acontecer.

O tamanho disso, nas premissas deste estudo: R$ 4.000 num imóvel de R$ 400.000, e R$ 10.000 num de R$ 1.000.000. Na compra à vista a escritura continua existindo e continua sendo paga, e é por isso que as duas colunas da próxima tabela não são iguais.

À vista contra financiado, lado a lado

As duas formas de comprar trocam um custo por outro. Quem compra à vista paga escritura e não paga avaliação bancária. Quem financia paga avaliação e não paga escritura. O total fica parecido, e a composição não.

Valor do imóvelObrigatórios à vista% do preçoObrigatórios financiado% do preço
R$ 200.000R$ 9.4004,7%R$ 10.9005,45%
R$ 300.000R$ 14.1004,7%R$ 14.6004,87%
R$ 400.000R$ 18.8004,7%R$ 18.3004,58%
R$ 600.000R$ 28.2004,7%R$ 25.7004,28%
R$ 1.000.000R$ 47.0004,7%R$ 40.5004,05%

Repare que a coluna da compra à vista mantém 4,7% em todas as faixas, porque ali todos os custos são percentuais. A coluna do financiamento é a que varia, por causa da taxa fixa de avaliação. É a mesma regressividade da seção anterior, vista de outro ângulo.

O que este estudo não diz

Três limites que valem mais do que qualquer número acima. O primeiro é que ITBI é municipal: a alíquota de 3% usada aqui é uma referência comum, não uma regra nacional, e a base de cálculo costuma ser o valor de referência da prefeitura, que pode ser diferente do preço negociado. O segundo é que emolumentos de cartório são estaduais e seguem tabelas por faixa de valor, o que torna o percentual de 0,7% uma aproximação razoável e nada mais.

O terceiro é o mais importante: este estudo mede o custo de COMPRAR, não o custo de ter. Os juros do financiamento, os seguros obrigatórios, a taxa de administração, o condomínio e o IPTU de todos os anos seguintes são outra conta, bem maior, e estão em quanto você devolve de juros financiando um imóvel e na calculadora de custo mensal do imóvel.

Metodologia

Todos os valores desta página foram calculados no momento em que ela foi gerada, pela mesma função que roda na calculadora pública do portal. Não há número digitado no texto, e é isso que torna o estudo reproduzível: informando as premissas abaixo na calculadora de custo total da compra, qualquer pessoa chega aos mesmos resultados.

Fontes

Conclusão

Comprar um imóvel custa bem mais do que a entrada, e a diferença não é pequena: no caso de R$ 400.000 deste estudo são R$ 40.800 além da entrada combinada. Parte disso é imposto e cartório, que ninguém evita; parte é o que o imóvel precisa para virar moradia, que dá para planejar. E uma parte que muita gente reserva simplesmente não existe, porque a compra financiada não paga escritura pública separada.

Antes de fechar a proposta, faça a conta com as alíquotas da sua cidade na calculadora de custo total da compra, veja quanto cabe na sua renda em quanto consigo financiar e conheça os outros estudos do ValorFinal, todos com dados livres para citação.

Como citar esta página

Vai usar este dado em uma matéria, post ou trabalho? Copie a referência pronta. O número vem do ValorFinal (cálculo próprio) sobre Lei 4.380/1964 (art. 61) / CF art. 156, II / CTN arts. 35 a 42 / Lei 6.015/1973 / Lei 10.169/2000; a página é atualizada automaticamente.

ValorFinal. O custo de comprar um imóvel hoje: R$ 40.800. Disponível em: https://valorfinal.com.br/estudos/quanto-custa-comprar-um-imovel-alem-do-preco. Fonte do dado: ValorFinal (cálculo próprio) sobre Lei 4.380/1964 (art. 61) / CF art. 156, II / CTN arts. 35 a 42 / Lei 6.015/1973 / Lei 10.169/2000. Dados de: 18/09/2026.

Para imprensa, blogs e professores

Os números deste estudo são livres para citação com crédito ao ValorFinal (licença Creative Commons BY 4.0). Você pode reproduzir as tabelas e o gráfico em uma matéria, post ou trabalho, desde que cite a fonte e o link desta página. Precisa de um recorte específico ou quer falar com a equipe? Veja a central de estudos e dados ou os widgets gratuitos para incorporar.

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Fale com quem fez o levantamento

Cesar Gargiulo

Fundador e responsável técnico do ValorFinal

Responde pela engenharia, pelos testes automatizados e pela metodologia dos números publicados aqui, e não é advogado, contador nem consultor financeiro: nos temas trabalhistas, tributários e de investimentos, o levantamento se apoia nas fontes oficiais citadas em cada estudo, e é isso que a redação pode conferir por conta própria antes de publicar.

Área de atuação profissional: segurança da informação, cloud security (aws), testes de intrusão (pentest), conformidade regulatória (lgpd, pci dss, bacen), arquitetura de redes, engenharia de software.

Levantamento e cálculo: equipe editorial ValorFinal, sob responsabilidade de Cesar Gargiulo. Reporte de erro tem prioridade sobre qualquer outro assunto: descreva o cenário e o número esperado, e a correção sai com a fonte junto.

Calcule o seu caso

Como calculamos

Os números deste estudo são calculados pelas mesmas engines abertas que movem as calculadoras do ValorFinal, a partir das fontes indicadas (Lei 4.380/1964 (art. 61) / CF art. 156, II / CTN arts. 35 a 42 / Lei 6.015/1973 / Lei 10.169/2000). Os valores citados aqui são estimativas. Taxas de juros, índices de reajuste, tributos, custos de cartório e as condições de cada contrato mudam o resultado. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

Quanto custa comprar um imóvel além do preço anunciado?
Os custos obrigatórios da compra ficam entre 4,05% e 5,45% do preço do imóvel nas faixas que este estudo calculou, somando ITBI, registro em cartório e, quando há financiamento, a taxa de avaliação do banco. Num imóvel de R$ 400.000 comprado financiado, isso dá R$ 18.300. Somando o que o imóvel precisa para ficar habitável, reforma, mobília e mudança, o dinheiro exigido no ato da compra chega a R$ 120.800, enquanto a entrada combinada é de apenas R$ 80.000.
Preciso pagar escritura pública num imóvel financiado?
Não. Na compra financiada pelo Sistema Financeiro da Habitação, o próprio contrato de financiamento tem força de escritura pública, pelo art. 61, § 5º, da Lei 4.380/1964. Isso significa que não existe uma escritura separada a ser lavrada e paga em tabelionato de notas: o instrumento particular assinado com o banco vai direto a registro. A escritura pública continua existindo, e sendo paga, na compra à vista. Este estudo mostra o tamanho da diferença: num imóvel de R$ 400.000 são R$ 4.000 que quem financia não gasta.
Quanto é o ITBI e quem define a alíquota?
O ITBI é o imposto sobre transmissão de bens imóveis e é de competência do município, pelo art. 156, II, da Constituição Federal. Cada cidade define a própria alíquota e a própria base de cálculo, que costuma ser o valor de referência do município, não necessariamente o preço combinado na negociação. Alíquotas na casa de 2% a 3% são comuns em capitais, e é por isso que este estudo usa 3% como premissa declarada, e não como um número universal. Consulte a Secretaria de Finanças da sua cidade antes de fechar a conta.
Por que o custo proporcional é maior no imóvel mais barato?
Porque uma parte dos custos é fixa em reais e não acompanha o preço. A taxa de avaliação do banco, de R$ 3.500 nas premissas deste estudo, pesa o mesmo num imóvel de R$ 200.000 e num de R$ 1.000.000. O resultado é regressivo: os custos obrigatórios somam 5,45% do preço na faixa mais baixa e 4,05% na mais alta. Quem compra o imóvel mais barato paga proporcionalmente mais para comprar.
Esses custos entram no financiamento?
Em parte, e isso varia por banco e por linha de crédito. Algumas instituições financiam o ITBI e o registro dentro da operação, somando esses valores ao saldo devedor e, portanto, aos juros de trinta anos. Outras exigem pagamento com recursos próprios no ato. A conta muda de figura nos dois casos: financiar os custos reduz o dinheiro necessário na assinatura e aumenta o custo total do contrato. A calculadora de custo total da compra tem um campo para o percentual financiado, justamente para você ver os dois cenários com os seus números.
Qual a diferença entre comprar à vista e financiado nos custos?
As duas contas têm composição diferente, e não apenas tamanho diferente. Quem compra à vista paga escritura pública e não paga avaliação bancária; quem financia paga avaliação e não paga escritura separada. Nas premissas deste estudo, num imóvel de R$ 400.000, os custos obrigatórios ficam em R$ 18.800 à vista e R$ 18.300 financiado. A diferença é pequena no total e relevante na composição, porque troca um custo por outro.
O registro em cartório é obrigatório mesmo?
É, e não é formalidade. Pela Lei 6.015/1973, a propriedade do imóvel só se transfere com o registro no cartório de registro de imóveis da circunscrição do bem. Enquanto isso não acontece, quem consta como proprietário na matrícula é o vendedor, com todas as consequências que isso traz em caso de dívida, penhora ou inventário. Os emolumentos são definidos por tabelas estaduais e variam por faixa de valor, com regras gerais da Lei 10.169/2000.
Quanto devo reservar para deixar o imóvel habitável?
Depende inteiramente do estado do imóvel, e por isso este estudo trata reforma e mobília como premissa declarada, não como regra. A conta aqui usa 5% do valor do imóvel somando reforma e mobília, mais R$ 2.500 de mudança. Num imóvel de R$ 400.000 isso dá R$ 22.500. Imóvel novo entregue com acabamento pede menos; imóvel usado que precisa de piso, pintura e instalação elétrica pede bem mais. O ponto do estudo não é o percentual, é lembrar que essa linha existe e costuma ficar fora do planejamento.
A entrada de 20% é uma regra?
Não é lei, é a cota mais comum das linhas de crédito imobiliário: o banco financia até uma parte do valor de avaliação, em geral 80%, e o restante sai do bolso do comprador. Programas habitacionais e linhas específicas trabalham com cotas diferentes. Este estudo usa 20% porque é a premissa mais frequente, e a calculadora deixa o campo aberto para quem tem outra condição. Vale lembrar que entrada maior reduz o valor financiado e, com ele, os juros pagos ao longo de décadas.
Esses valores servem para qualquer cidade do Brasil?
Não servem, e o estudo é explícito quanto a isso. ITBI é municipal, emolumentos de cartório são estaduais e a taxa de avaliação varia por banco. O que este trabalho oferece é a ESTRUTURA da conta, que é a mesma no país inteiro, com percentuais de referência que existem nessa ordem de grandeza em boa parte das capitais. Para o número do seu caso, troque as alíquotas na calculadora pelos valores do seu município e do seu cartório.
Como vocês calcularam estes números?
Todos os valores deste estudo saem, no momento em que a página é gerada, da mesma função de cálculo que roda na calculadora de custo total da compra do imóvel. Não há número digitado à mão no texto. Isso torna o estudo reproduzível: abra a calculadora, informe as premissas descritas na seção de metodologia e você chega exatamente aos mesmos valores. Também significa que qualquer correção na fórmula aparece aqui na mesma hora, em vez de deixar o estudo contradizendo a ferramenta.
Posso citar estes números?
Pode. Os dados são livres para citação com crédito ao ValorFinal, sob licença Creative Commons BY 4.0. Reproduza as tabelas citando a fonte e o link desta página. São estimativas calculadas a partir de premissas explícitas, todas descritas no texto e todas ajustáveis na calculadora, e não medições de mercado.