Laboratório de Bitcoin: simuladores na prática

Aprender fazendo. São seis simuladores que colocam a mão nas ideias que sustentam o Bitcoin: o hash, a prova de trabalho, o halving e o limite de 21 milhões, as taxas e a mempool, o caminho da chave ao endereço e os UTXOs com troco. Tudo educativo e seguro.

1. O que é um hash

Um hash é uma impressão digital de qualquer dado. A função SHA-256, que o Bitcoin usa, pega um texto de qualquer tamanho e devolve sempre 64 caracteres. O mesmo texto sempre dá o mesmo hash; mude um único caractere e o resultado muda por completo. É isso que deixa a blockchain à prova de adulteração: trocar uma vírgula em um bloco antigo mudaria o hash dele e quebraria todos os blocos seguintes.

SHA-256:

...

Dica: acrescente um ponto no fim e repare como o hash inteiro vira outro. É o efeito avalanche.

2. Mineração e prova de trabalho

Minerar é procurar um número (o nonce) que, junto com o bloco, gere um hash começando com vários zeros. Não existe atalho: o computador tenta um nonce de cada vez até achar. Quanto mais zeros são exigidos, mais tentativas em média são necessárias. É por isso que a mineração gasta trabalho de verdade, e é esse trabalho que protege a rede. Teste abaixo com poucos zeros; o Bitcoin de verdade exige tantos que são trilhões de tentativas por bloco.

3. Halving e o limite de 21 milhões

A cada 210 mil blocos, cerca de quatro anos, a recompensa por bloco cai pela metade. Esse corte programado, o halving, faz a emissão desacelerar até parar perto de 21 milhões de bitcoins. Arraste e veja a recompensa, o ano aproximado e quanto já foi emitido em cada etapa.

Recompensa por bloco

Ano aproximado

Já emitido

A barra mostra a fração dos 21 milhões já emitida. Repare como ela sobe rápido no começo e quase congela depois.

4. Taxa e disputa por espaço (mempool)

Cada bloco tem espaço limitado. As transações esperam na mempool e os mineradores tendem a escolher as que pagam mais por byte (sat/vB). Quando a rede está cheia, quem paga pouco espera mais. Ajuste a taxa, o tamanho e a congestão e veja a estimativa.

Taxa total:

5. Da chave ao endereço (caminho de mão única)

Da sua chave privada nasce uma chave pública, e dela nasce o endereço. Cada passo é fácil de calcular para a frente e quase impossível de desfazer. Por isso o endereço pode ser público sem expor a chave privada. Digite uma chave qualquer e veja o caminho.

Chave pública (derivada):

...

Endereço (público):

...

Mude um caractere da chave e tudo muda. E a partir do endereço não dá para voltar à chave.

6. UTXO e troco (como o saldo funciona)

No Bitcoin você não tem um saldo único; tem moedas separadas (os UTXOs), como cédulas na carteira. Para pagar, você junta cédulas até cobrir o valor e recebe o troco de volta num novo UTXO. Escolha quanto enviar e veja a seleção e o troco.

Suas moedas (UTXOs): 1,00 · 0,50 · 0,20 · 0,05 BTC (saldo 1,75)

Perguntas frequentes

Isso mexe com dinheiro de verdade? Não. É só uma demonstração no seu navegador, sem rede, sem carteira, sem valor.

Por que o hash muda tanto com uma letra? A SHA-256 é feita para espalhar qualquer mudança por todo o resultado, o efeito avalanche. Isso impede adivinhar a entrada a partir do hash.

Minerar de verdade é assim? A ideia é a mesma: tentar nonces até achar um hash pequeno o bastante. A diferença é a escala: a rede exige tantos zeros que precisa de máquinas dedicadas trabalhando juntas.