Escrever dentro de um limite parece trivial até o texto ser cortado no lugar errado, ou até a fatura do disparo de SMS chegar com o triplo do valor previsto. Os limites de caracteres não são tão firmes quanto parecem: uns são corte visual e não bloqueio, outros dependem de qual acento você usou. Este guia reúne os números que valem na prática, explica por que o mesmo texto conta diferente em cada sistema e detalha a armadilha do SMS em português. Para medir o seu texto enquanto escreve, use o contador de caracteres e palavras.
Resposta rápida
- Title: cerca de 60 caracteres. Meta description: cerca de 160. São cortes de exibição por largura em pixels, não bloqueios.
- SMS: 160 caracteres só sem acento agudo, til e cedilha minúsculo. Com qualquer um deles, o limite cai para 70.
- Mensagem emendada perde espaço para o cabeçalho: 153 por parte em GSM-7 e 67 em UCS-2.
- Um mesmo texto tem três contagens válidas: por caractere, por unidade UTF-16 e por byte em UTF-8.
Os limites que valem hoje
Os números abaixo são os praticados publicamente. Vale um aviso antes: em redes sociais eles mudam sem comunicado, e em buscador o valor é margem de segurança, não regra.
- Title do Google: cerca de 60 caracteres.
- Meta description: cerca de 160 caracteres.
- Post no X: 280 caracteres para conta comum.
- Bio do Instagram: 150 caracteres, com quebra de linha contando.
- Legenda do Instagram: 2.200 caracteres, mas o feed corta com o botão de continuar por volta de 125.
- Headline do LinkedIn: 220 caracteres, exibida truncada na busca e nos comentários.
- Post no LinkedIn: 3.000 caracteres, com o corte visual por volta de 200.
- Título no YouTube: 100 caracteres, dos quais bem menos aparecem na miniatura do celular.
- Descrição no YouTube: 5.000 caracteres, sendo que só as primeiras linhas ficam visíveis.
- Status de texto do WhatsApp: 700 caracteres.
- SMS: 160 caracteres em GSM-7, 70 em UCS-2.
Por que o Google não conta letras
O corte do título no resultado de busca é feito por largura, não por contagem. O limite prático fica em torno de 580 pixels no computador e menos no celular. Isso muda o cálculo: um título com muitas maiúsculas largas, como M, W e A, ocupa bem mais espaço que um do mesmo tamanho cheio de i, l e t. Na prática, 60 caracteres é uma média que costuma caber, e é por isso que a recomendação existe nesse formato.
Duas consequências úteis. A primeira é que passar do limite não é erro nem penalidade: a página indexa normalmente, só o final do título some. A segunda é que a informação que importa deve vir no começo, porque é a parte que sempre aparece. O mesmo vale para a descrição, com o agravante de que o Google reescreve a meta description na maioria dos casos, escolhendo um trecho da página que responda melhor à busca.
A armadilha do SMS em português
Este é o limite que mais custa dinheiro, e quase ninguém sabe da regra. O SMS nasceu com uma codificação de 7 bits por caractere, a GSM 03.38, que permite 160 caracteres em uma mensagem. O problema é o alfabeto dessa codificação: ele foi desenhado nos anos 1980 para as línguas europeias mais comuns, e o português ficou mal servido.
Cabem no GSM-7: à, ä, ö, ñ, ü, è, é, ù, ì, ò, Å, å, Æ, æ, ß, É, Ä, Ö, Ñ, Ü e o Ç maiúsculo. Não cabem: á, í, ó, ú, ã, õ, ê, ô, â e o ç minúsculo. Ou seja, informação, você, serviço, código, não, atenção e opção derrubam a mensagem inteira. Basta um caractere de fora do alfabeto e todo o texto passa para UCS-2, com 16 bits por caractere, e o limite despenca de 160 para 70.
O impacto é concreto. Uma mensagem de 150 caracteres cabe em 1 SMS se escrita sem acento. A mesma mensagem com um único ç vira 3 SMS, porque em UCS-2 cada parte comporta 67 caracteres. Numa campanha de 50 mil disparos, isso multiplica o custo por três. É um dos poucos casos em que escrever sem acento tem justificativa técnica, e vale avaliar caso a caso, porque texto sem acento também passa impressão de descuido.
Ainda dentro do GSM-7 há uma segunda pegadinha, menor: alguns caracteres existem no alfabeto mas custam duas posições, porque ficam numa tabela de extensão. São o colchete, a chave, a barra invertida, o acento circunflexo solto, o til solto, a barra vertical e o símbolo do euro. Um texto cheio de colchete pode estourar antes do esperado.
Por que 160 vira 153
Quando o texto passa do limite, ele não é enviado como uma mensagem grande. Ele é picado em várias, e cada parte precisa carregar um cabeçalho dizendo quantas partes existem e em que ordem remontar. Esse cabeçalho ocupa espaço útil: em GSM-7 sobram 153 caracteres por parte, e em UCS-2 sobram 67.
Por isso o pulo de custo acontece antes do esperado. Um texto de 161 caracteres não vira uma mensagem cheia mais uma de um caractere: vira duas mensagens de até 153, e as duas são cobradas. O mesmo vale em UCS-2, onde 71 caracteres já custam dois envios.
As três formas de contar um caractere
Um mesmo texto pode ter três contagens diferentes, todas corretas, e é isso que faz um campo aceitar no formulário e recusar no banco.
Por ponto de código Unicode é a contagem que corresponde ao que a pessoa enxerga. O á conta 1, uma letra japonesa conta 1, um emoji comum conta 1. É a contagem que faz sentido mostrar ao usuário.
Por unidade UTF-16 é o que o JavaScript devolve em String.length e o que muitos bancos usam num campo VARCHAR. Letras e acentos contam 1, mas caracteres fora do plano básico, como a maior parte dos emojis, contam 2. É a origem clássica do bug em que o usuário digita 140 caracteres e o sistema reclama que passou de 140.
Por byte em UTF-8 é o tamanho real em disco e em trânsito, e muitas APIs limitam por aí. Letra sem acento ocupa 1 byte, letra acentuada ocupa 2, a maior parte dos ideogramas ocupa 3 e emoji costuma ocupar 4. Um texto em português ocupa mais bytes do que caracteres, sempre.
Emojis compostos são o caso extremo. Uma bandeira, um emoji com tom de pele ou um grupo familiar são vários pontos de código unidos por um caractere invisível de junção. Na tela aparece um símbolo; na contagem, pode dar 7 ou 11. Se o seu formulário aceita emoji, teste com esses.
Como escrever dentro do limite sem estragar o texto
Ponha a informação essencial no começo, porque o corte acontece no fim. Escreva o texto inteiro primeiro e corte depois: tentar caber já na primeira versão costuma produzir frase truncada. Em title, corte o complemento e preserve o termo principal, nunca o contrário. Em SMS transacional, prefira texto sem acento quando a economia justificar, e teste antes de disparar em massa. E confira o número no mesmo momento em que escreve, porque contar depois quase sempre vira retrabalho.
Como usar a ferramenta do ValorFinal
O contador de caracteres e palavras mostra a contagem a cada tecla, com barra de progresso para cada um dos limites citados aqui, e indica exatamente qual caractere derrubou a sua mensagem para UCS-2. Ele também traz as três medidas (caracteres, unidades UTF-16 e bytes) lado a lado, além do tempo de leitura. Para comparar duas versões de um texto e ver o que mudou, use o comparador de texto. Para escrever com formatação e ver a prévia, o editor de Markdown. Conheça as demais ferramentas de tecnologia.
Fontes oficiais
- GSM 03.38 (ETSI): especificação do alfabeto de 7 bits do SMS e da tabela de extensão.
- Unicode Technical Report 17: modelo de codificação que explica a diferença entre ponto de código, unidade de código e byte.
- Google Search Central: títulos de resultado: documentação oficial sobre como o título é escolhido e exibido.
- Google Search Central: snippets: como a descrição do resultado é montada e quando é reescrita.
Conclusão
Title em 60 e descrição em 160 são margens de segurança, porque o corte é por pixel e o Google reescreve boa parte das descrições de qualquer jeito. O limite que realmente morde é o do SMS: 160 caracteres viram 70 assim que aparece um á, um ã ou um ç minúsculo, e mensagem emendada ainda perde espaço para o cabeçalho. E vale lembrar que caractere não é uma medida só: por ponto de código, por unidade UTF-16 e por byte, o mesmo texto tem três números. Meça no contador de caracteres antes de publicar ou disparar.