Como economizar energia em casa: o que realmente reduz a conta

Quais aparelhos mais pesam na conta de luz e o que de fato reduz o consumo: chuveiro, ar-condicionado, geladeira e iluminação. Dicas práticas com base na potência e no tempo de uso, e como medir o gasto de cada aparelho.

Revisado pela equipe editorial ValorFinalANEEL / Procel
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Existe uma lista de dicas de economia de energia que todo mundo já leu: apague a luz ao sair, tire o carregador da tomada, feche a geladeira rápido. O problema não é que as dicas estejam erradas. É que elas tratam um gasto de R$ 6 por mês com a mesma urgência de um gasto de R$ 226 por mês, e o leitor termina sem saber onde mexer primeiro. Este guia coloca número em cada medida: quantos kWh ela economiza, quantos reais isso dá e de onde sai a conta. Os cálculos seguem a mesma fórmula da calculadora de consumo de energia, e você pode refazer cada um deles com os seus próprios dados.

Resposta rápida

  • Chuveiro e ar-condicionado decidem a conta. Numa casa modelo, o chuveiro sozinho responde por 44% do consumo. Com ar ligado 6 horas por dia, o ar passa a responder por 56% de tudo.
  • As medidas que mais economizam: reduzir 2 horas de ar por dia (cerca de R$ 71,40 por mês) e cortar o banho de 10 para 5 minutos (cerca de R$ 46,75 por mês).
  • Standby e lâmpadas rendem pouco se você já usa LED: cerca de R$ 6,12 e R$ 7,65 por mês. Vale fazer, mas não resolve conta alta.
  • Valores estimados com tarifa de R$ 0,85 por kWh. A sua tarifa muda o resultado, então refaça a conta na calculadora de conta de luz.

A única fórmula que você precisa

Todo o resto deste guia sai de uma linha de matemática. O consumo de qualquer aparelho é a potência dele multiplicada pelo tempo que ele fica ligado:

Duas consequências saem daí, e elas explicam por que o senso comum sobre economia de energia erra tanto. Um aparelho de potência alta pesa mesmo usado por poucos minutos: o chuveiro fica ligado meia hora por dia e domina a conta. Um aparelho de potência baixa só pesa se ficar ligado muitas horas, e mesmo assim o total costuma ser modesto. O carregador de celular esquecido na tomada é o exemplo clássico de gasto que rende conversa e quase nada de economia.

A tarifa usada aqui é de R$ 0,85 por kWh, um valor de referência para os exemplos. Ela varia bastante conforme a distribuidora, a região e os tributos, e o número que sai da sua conta de luz é sempre o mais confiável. Se a sua tarifa for de R$ 0,75, todos os valores em reais deste guia caem cerca de 12%. As proporções entre os aparelhos, que é o que importa para decidir onde mexer, continuam as mesmas. O detalhe de como o kWh é medido e cobrado está no guia de consumo de energia elétrica.

Onde a energia realmente vai numa casa brasileira

Antes de economizar, é preciso saber o que está sendo gasto. A tabela abaixo monta uma casa modelo com aparelhos e hábitos comuns: 4 banhos por dia de 8 minutos num chuveiro de 5.500 W, geladeira frost free, 10 lâmpadas de LED acesas 5 horas por dia, televisão 5 horas por dia e o resto do que costuma existir numa residência. Cada linha vem da fórmula acima.

AparelhoUso consideradokWh/mêsR$/mêsParticipação
Chuveiro elétrico5.500 W, 4 banhos de 8 min por dia88,0R$ 74,8044,1%
Geladeira frost freeEtiqueta do INMETRO, 24 h por dia40,0R$ 34,0020,1%
Televisão100 W, 5 h por dia15,0R$ 12,757,5%
Iluminação em LED10 lâmpadas de 9 W, 5 h por dia13,5R$ 11,486,8%
Máquina de lavar500 W, 1 h por ciclo, 20 ciclos10,0R$ 8,505,0%
Ferro de passar1.200 W, 8 h por mês9,6R$ 8,164,8%
Micro-ondas1.200 W, 15 min por dia9,0R$ 7,654,5%
Roteador10 W, 24 h por dia7,2R$ 6,123,6%
Standby somado10 W no total, 24 h por dia7,2R$ 6,123,6%
Total da casa modeloSem ar-condicionado199,5R$ 169,58100%

O chuveiro sozinho responde por 44,1% da conta dessa casa. Iluminação e standby somados dão 10,4%. É por isso que uma campanha doméstica contra lâmpadas acesas rende tão pouco: mesmo apagando todas as luzes o mês inteiro, o teto da economia seria de R$ 11,48.

Agora acrescente um ar-condicionado de 1.400 W ligado 6 horas por dia, situação comum no verão. Ele sozinho consome 252 kWh por mês, mais do que toda a casa anterior somada. O total sobe para 451,5 kWh, cerca de R$ 383,78, e a distribuição muda de dono: o ar passa a responder por 55,8% do consumo e o chuveiro cai para 19,5%. Quem tem ar em uso intenso e está preocupado com a conta precisa começar pelo ar, não pelas lâmpadas. Os cenários por potência e horas estão detalhados no guia de consumo de ar-condicionado.

O ranking das medidas por economia em reais

Esta é a tabela que o resto da internet não costuma mostrar. Cada linha traz a medida, a economia mensal em kWh e em reais, e a conta que gerou o número. A ordem é do que mais economiza para o que menos economiza.

MedidaDe onde sai a contakWh/mêsEconomia
Trocar o ar por um inverter (uso intenso)1.400 W para 950 W médios, 8 h por dia: 336 para 228 kWh108,0R$ 91,80
Usar o ar 2 horas a menos por dia1.400 W, de 8 h para 6 h por dia: 336 para 252 kWh84,0R$ 71,40
Trocar incandescentes por LED10 lâmpadas, 60 W para 9 W, 5 h por dia: 90 para 13,5 kWh76,5R$ 65,02
Banho de 10 para 5 minutos5.500 W, 4 banhos por dia: 110 para 55 kWh55,0R$ 46,75
Usar a chave verão no chuveiro5.500 W para 3.000 W, banhos de 8 min: 88 para 48 kWh40,0R$ 34,00
Trocar geladeira antiga por eficienteEtiqueta do INMETRO, de 60 para 30 kWh por mês30,0R$ 25,50
Cortar 1 minuto de cada banho5.500 W, 4 banhos por dia, 30 dias: 11 kWh a menos11,0R$ 9,35
Trocar fluorescentes compactas por LED10 lâmpadas, 15 W para 9 W, 5 h por dia: 22,5 para 13,5 kWh9,0R$ 7,65
Cortar o standby da casa10 W somados, 24 h por dia: 7,2 kWh7,2R$ 6,12
Lavar com carga cheia500 W, de 20 para 12 ciclos por mês: 10 para 6 kWh4,0R$ 3,40
Acumular roupa para passar1.200 W, de 8 h para 5 h por mês: 9,6 para 6 kWh3,6R$ 3,06

Repare na distância entre o topo e a base. A medida do topo economiza cerca de 30 vezes o que a medida da base economiza. Uma tarde inteira dedicada a desligar tomadas e acumular roupa para passar rende menos que 5 minutos a menos de banho por pessoa.

Chuveiro elétrico: o campeão da conta

O chuveiro é o aparelho mais mal compreendido da casa. Ele fica ligado pouco tempo, o que dá a impressão de gasto pequeno, mas a potência é enorme. Um modelo de 5.500 W consome, em 1 hora de uso contínuo, mais do que a geladeira consome em 4 dias.

A conta por minuto é simples: 5.500 W dividido por 1.000 dá 5,5 kW, e dividido por 60 dá 0,0917 kWh por minuto. A R$ 0,85 o kWh, cada minuto de banho custa cerca de R$ 0,08. Um banho de 10 minutos custa R$ 0,78. Parece irrelevante até você multiplicar pela família inteira: com 4 banhos de 10 minutos por dia, são 110 kWh por mês, cerca de R$ 93,50. Reduzindo para 5 minutos, caem para 55 kWh, cerca de R$ 46,75. A economia de R$ 46,75 por mês vem de uma mudança que não custa nada e não exige comprar equipamento.

Vale testar o efeito com os seus próprios números de potência, tempo e quantidade de banhos na calculadora de consumo do chuveiro elétrico. Chuveiros de 7.500 W, comuns em regiões frias, deixam a conta por minuto ainda mais alta.

A chave verão, a medida que ninguém usa

A chave verão do chuveiro reduz a potência do aparelho. É a única medida da lista que economiza sem pedir nada em troca do conforto do banho, desde que a temperatura da água continue aceitável para você.

Num modelo que sai de 5.500 W no inverno para cerca de 3.000 W na posição verão, com banhos de 8 minutos e 4 banhos por dia, o consumo cai de 88 kWh para 48 kWh por mês. São 40 kWh economizados, cerca de R$ 34,00. Deixar a chave no inverno o ano inteiro, por esquecimento, custa esses R$ 34,00 todo mês. Em muitas casas do Nordeste e do Sudeste, o inverno dura poucas semanas e a chave passa o ano na posição errada.

Ar-condicionado: quem tem, começa por aqui

Um ar-condicionado de 1.400 W ligado 8 horas por dia consome 336 kWh por mês, cerca de R$ 285,60. É mais que a casa modelo inteira sem ar. Nenhuma outra medida deste guia chega perto de mexer nessa magnitude.

Sobre a temperatura, existe uma confusão que vale desfazer. Ajustar o termostato não muda a potência do aparelho. O que muda é o tempo que o compressor precisa ficar ligado para segurar o ambiente naquela temperatura. Quanto mais distante do calor externo estiver o alvo, mais tempo o compressor trabalha. Por isso o ganho de subir a temperatura aparece como redução das horas efetivas de compressor, e não como redução de watts.

Isso torna as medidas de vedação mais importantes do que parecem. Porta aberta, janela mal fechada ou fresta embaixo da porta obrigam o compressor a trabalhar mais tempo para compensar o ar quente que entra. Filtro sujo tem efeito parecido, porque reduz a troca de calor e estica o tempo de operação. Programar o timer para desligar depois que você dormir corta horas reais: as 2 horas a menos por dia da tabela valem cerca de R$ 71,40 por mês.

Geladeira: o segundo maior, e o mais constante

A geladeira consome pouco por hora e muito por mês, porque nunca desliga. Os 40 kWh mensais da casa modelo dão cerca de R$ 34,00, o que a coloca em segundo lugar isolado numa casa sem ar.

A boa notícia é que você não precisa estimar: o consumo em kWh por mês está impresso na etiqueta do INMETRO, medido em ensaio padronizado. Basta multiplicar esse número pela sua tarifa. Os cuidados que realmente afetam o resultado são os que reduzem o tempo de motor ligado. Borracha de vedação ressecada deixa entrar ar quente e faz o motor trabalhar mais. Encostar a geladeira na parede, sem espaço para a troca de calor na traseira, tem o mesmo efeito. Colocar comida quente lá dentro e abrir a porta com frequência também. Já o degelo, nos modelos que ainda precisam dele, importa porque a camada de gelo funciona como isolante entre o evaporador e os alimentos.

Vale a ressalva honesta: nenhum desses cuidados transforma 40 kWh em 20 kWh. Eles evitam que a geladeira consuma 50 ou 55 kWh em vez de 40. É manutenção, não milagre.

Lâmpadas LED: a conta honesta

Aqui é onde a maioria dos textos de economia de energia envelheceu. A frase clássica compara o LED com a lâmpada incandescente, e o número impressiona: trocar 10 incandescentes de 60 W por LEDs de 9 W, com 5 horas de uso por dia, derruba o consumo de 90 kWh para 13,5 kWh por mês. São 76,5 kWh, cerca de R$ 65,02 economizados. Se você ainda tiver incandescentes em casa, essa é a terceira melhor medida da tabela e deve ser feita hoje.

O detalhe é que as incandescentes saíram de circulação no Brasil. A comparação que interessa para a maioria das casas é outra: fluorescente compacta de 15 W contra LED de 9 W. Nesse caso, o consumo cai de 22,5 kWh para 13,5 kWh, uma economia de 9 kWh por mês, cerca de R$ 7,65. Continua sendo uma boa troca, principalmente porque o LED dura muito mais e o custo se paga pela reposição evitada. Mas é preciso dizer com todas as letras: quem tem uma conta de luz alta e resolve atacá-la trocando lâmpadas está mexendo em 6,8% do problema.

Standby: o consumo fantasma, medido

O consumo fantasma existe e é fácil de medir. Televisão, micro-ondas com relógio, decodificador e carregadores puxam uma potência baixa e contínua. O erro é tratar isso como o vilão da conta.

Some 10 W de standby espalhados pela casa, ligados 24 horas por dia, 30 dias por mês: são 7,2 kWh, cerca de R$ 6,12. Se a sua casa tiver bastante eletrônico e o total chegar a 20 W, o valor dobra para 14,4 kWh, cerca de R$ 12,24. Compare com o chuveiro da mesma casa, que custa R$ 74,80. Todo o standby somado, no cenário mais pessimista, custa menos que 3 minutos a menos de banho por dia.

A conclusão prática não é ignorar o standby, e sim dimensionar o esforço. Régua com interruptor no rack da TV ou no home office faz sentido, porque desliga vários aparelhos de uma vez sem esforço diário. Correr atrás do carregador de celular todas as noites, não.

Máquina de lavar e ferro de passar

Esses dois aparecem em toda lista de dicas e entregam pouco, pelo menos no Brasil. A máquina de lavar de 500 W, rodando 1 hora por ciclo, consome 0,5 kWh por lavagem. Passar de 20 para 12 ciclos por mês, juntando roupa para lavar com carga cheia, economiza 4 kWh, cerca de R$ 3,40.

O motivo de ser tão pouco tem uma explicação técnica: a maioria das máquinas brasileiras lava com água fria. Em países onde a máquina aquece a própria água, ela vira um dos maiores consumidores da casa, e por isso as recomendações internacionais dão tanto peso a ela. Se a sua máquina tiver função de água quente, a lógica muda e o aquecimento passa a dominar o ciclo.

O ferro de passar tem potência alta, 1.200 W, mas uso curto. Oito horas por mês dão 9,6 kWh, cerca de R$ 8,16. Acumulando roupa e caindo para 5 horas por mês, o gasto vai para 6 kWh, cerca de R$ 5,10. Economia de R$ 3,06. O hábito de passar tudo de uma vez é bom porque evita reaquecer o ferro do zero várias vezes, e é só isso.

O mito da conta alta por causa de aparelho velho

Quando a conta sobe, a suspeita costuma cair sobre a geladeira antiga. A ideia tem um fundo de verdade e um erro de escala.

O fundo de verdade: motores e compressores antigos são menos eficientes, e uma geladeira de 20 anos pode consumir 60 kWh por mês onde uma eficiente consome 30 kWh. A diferença de 30 kWh vale cerca de R$ 25,50 por mês. Isso é dinheiro real e justifica a troca ao longo do tempo.

O erro de escala: R$ 25,50 não explica uma conta que subiu R$ 150,00. Além disso, uma geladeira não envelhece de um mês para o outro. Se a sua conta deu um salto repentino, o aparelho velho não é a causa, porque ele já estava velho no mês anterior. Salto de conta quase sempre tem origem em mudança de uso ou de preço: chegou o frio e o chuveiro passou para o inverno, entrou alguém a mais em casa, o verão puxou o ar-condicionado, a bandeira tarifária mudou ou houve reajuste da distribuidora. Antes de trocar equipamento, compare o histórico de kWh das últimas contas. O consumo em kWh separa o que é hábito do que é preço, e é isso que a calculadora de conta de luz ajuda a enxergar.

Tarifa branca e horário de ponta

A tarifa branca é uma opção de cobrança em que o preço do kWh muda conforme a hora do dia. Ela é mais cara no horário de ponta, no fim da tarde e início da noite, mais barata no intermediário e mais barata ainda fora da ponta, de madrugada e nos fins de semana. A adesão é opcional e feita junto à distribuidora.

Ela só compensa para quem consegue deslocar consumo para fora da ponta. E aqui está a armadilha: o horário de ponta é exatamente quando a família chega em casa, toma banho, liga o ar e usa a cozinha. Quem tenta a tarifa branca sem mudar rotina costuma pagar mais, porque o consumo continua concentrado na faixa mais cara. Faz sentido para quem passa o dia fora e consegue programar máquina de lavar e outros usos para a madrugada, ou para quem tem chuveiro a gás e não depende de energia no pico.

Já a bandeira tarifária é diferente e não é opcional: ela vale para todo mundo e sinaliza o custo de geração do mês. O adicional é cobrado por 100 kWh consumidos. Num mês de 200 kWh, a bandeira amarela adiciona cerca de R$ 3,77 e a vermelha patamar 2 cerca de R$ 15,75, usando os valores de referência da ANEEL adotados no projeto. Num mês de 450 kWh, os mesmos adicionais sobem para cerca de R$ 8,48 e R$ 35,45. Como a bandeira incide sobre o consumo, quem gasta menos kWh também sofre menos com a bandeira. O funcionamento completo está no guia sobre bandeira tarifária.

Quando vale a pena trocar o aparelho

Trocar equipamento custa dinheiro, e a decisão deve sair de uma conta de payback: divida o preço do aparelho pela economia mensal e veja em quantos meses ele se paga.

Pegue o caso mais favorável, o ar-condicionado em uso intenso. O aparelho atual de 1.400 W, ligado 8 horas por dia, consome 336 kWh por mês, cerca de R$ 285,60. Um modelo inverter que opere com potência média de 950 W nas mesmas horas consome 228 kWh, cerca de R$ 193,80. A economia é de R$ 91,80 por mês, e um aparelho de R$ 2.500 se paga em cerca de 27 meses.

Agora mude uma variável. Se o ar for usado 2 horas por dia em vez de 8, a economia cai proporcionalmente, para cerca de R$ 22,95 por mês, e o mesmo aparelho de R$ 2.500 passa a levar mais de 100 meses para se pagar. O equipamento é o mesmo, a eficiência é a mesma, e a decisão se inverte. É por isso que "modelo econômico" não é resposta sem saber quantas horas por dia ele vai rodar.

A mesma lógica vale para a geladeira: economia de R$ 25,50 por mês contra uma troca de R$ 3.000 dá um payback acima de 100 meses, o que significa que trocar geladeira que ainda funciona raramente se justifica só pela conta de luz. E vale para a calculadora de energia solar, onde o investimento é alto e o payback depende da região e do seu consumo. Os critérios estão no guia sobre energia solar valer a pena.

Como medir o consumo da sua casa

Copiar os números deste guia é o segundo melhor caminho. O melhor é refazer as contas com os seus dados, porque a sua tarifa, a sua potência e o seu hábito são diferentes dos da casa modelo.

Erros comuns de quem tenta economizar

Limitações deste guia

Os valores aqui são estimativas, e servem para ordenar prioridades, não para prever a sua fatura. A casa modelo é uma construção didática: ela não representa a média nacional e provavelmente não é igual à sua.

A tarifa de R$ 0,85 por kWh é um valor de referência. A tarifa real varia por distribuidora, por classe de consumo, por tributos estaduais e por reajuste anual, e ainda recebe o adicional de bandeira e a contribuição de iluminação pública. As potências usadas para chuveiro, ar-condicionado e demais aparelhos são valores comuns de mercado, e o seu equipamento pode ser diferente. O cenário de 950 W médios para o modelo inverter é uma hipótese de trabalho para demonstrar o método do payback, e não uma especificação de produto: use o consumo declarado na etiqueta do aparelho que você pretende comprar.

Este guia não substitui a orientação de um eletricista ou de um técnico para avaliar instalação, dimensionamento ou defeito de equipamento. Consumo muito acima do esperado, sem mudança de hábito, pode indicar problema elétrico ou de medição, e nesse caso a distribuidora deve ser acionada. Veja também como validamos os cálculos.

Fontes oficiais

Conclusão

Economizar energia em casa é um problema de prioridade, não de força de vontade. A conta de luz de uma casa sem ar-condicionado é decidida pelo chuveiro, que responde por 44% do consumo da casa modelo. Numa casa com ar em uso intenso, o ar responde por 56% e nada mais chega perto. Cinco minutos a menos de banho por pessoa valem cerca de R$ 46,75 por mês. Todo o standby da casa vale R$ 6,12. As duas medidas costumam aparecer lado a lado na mesma lista de dicas, como se pesassem igual.

Refaça essas contas com a sua tarifa e as suas horas de uso antes de decidir onde mexer, começando pela calculadora de consumo de energia para qualquer aparelho e pela calculadora de consumo do ar-condicionado se você tem ar em casa. As demais ferramentas estão nas calculadoras de energia.

Calculadoras deste guia

Leia também

Fontes oficiais

Links externos para os documentos oficiais consultados na construção desta página. O conteúdo deles pode mudar sem aviso; em caso de divergência, vale sempre a fonte oficial.

Como validamos os cálculos

Os valores citados neste guia são estimativos e baseados em fontes oficiais (ANEEL / Procel). Eles podem variar conforme convenção coletiva, situação individual e atualizações da legislação. Entenda nossa metodologia em como validamos os cálculos.

Perguntas frequentes

Qual aparelho mais gasta energia em casa?
Depende de você ter ar-condicionado ou não. Numa casa sem ar, o chuveiro elétrico costuma ser o maior item isolado: um modelo de 5.500 W usado por 8 minutos, em 4 banhos por dia durante 30 dias, consome 88 kWh por mês, cerca de R$ 74,80 a uma tarifa de R$ 0,85 por kWh. Numa casa que usa ar-condicionado 6 horas por dia, o ar assume a liderança com folga: um aparelho de 1.400 W nessas condições consome 252 kWh por mês, cerca de R$ 214,20. Os dois têm em comum a potência alta, que é o que faz o consumo subir depressa.
Quanto custa cada minuto de banho no chuveiro elétrico?
Num chuveiro de 5.500 W, cada minuto consome 5,5 ÷ 60 = 0,0917 kWh, o que dá cerca de R$ 0,08 a uma tarifa de R$ 0,85 por kWh. Parece pouco, mas o valor se multiplica pelo número de banhos. Numa casa com 4 banhos por dia, cortar 1 minuto de cada banho economiza 11 kWh por mês, cerca de R$ 9,35. Cortar 5 minutos de cada banho, de 10 para 5 minutos, economiza 55 kWh por mês, cerca de R$ 46,75.
Trocar lâmpadas por LED vale a pena?
A resposta honesta depende do que você tem hoje. Trocar 10 lâmpadas incandescentes de 60 W por LEDs de 9 W, com 5 horas de uso por dia, economiza 76,5 kWh por mês, cerca de R$ 65,02. Mas incandescentes praticamente sumiram das casas brasileiras. Se as suas lâmpadas já são fluorescentes compactas de 15 W, a troca para LED economiza 9 kWh por mês, cerca de R$ 7,65. Continua valendo pela durabilidade, só não espere que resolva uma conta alta.
Aparelhos em standby gastam muita energia?
Gastam pouco, e é importante dizer isso com número. Se você somar 10 W de standby ligados 24 horas por dia, o consumo é de 7,2 kWh por mês, cerca de R$ 6,12. Com 20 W somados, são 14,4 kWh, cerca de R$ 12,24. O consumo fantasma existe e vale cortar no que fica meses sem uso, mas ele não explica uma conta alta. Um único banho de 10 minutos por dia pesa mais que todo o standby da casa.
A chave verão do chuveiro economiza mesmo?
Sim, e é uma das medidas de melhor relação entre esforço e retorno, porque não exige encurtar o banho. A posição verão reduz a potência do chuveiro. Num modelo que passa de 5.500 W no inverno para cerca de 3.000 W no verão, com banhos de 8 minutos e 4 banhos por dia, o consumo cai de 88 kWh para 48 kWh por mês. A economia é de 40 kWh, cerca de R$ 34,00 por mês.
Qual temperatura devo usar no ar-condicionado?
A temperatura não muda a potência do aparelho, muda quanto tempo o compressor fica ligado para manter o ambiente. Quanto mais longe a temperatura escolhida estiver da temperatura externa, mais tempo o compressor trabalha e mais energia o aparelho consome. Por isso ajustes moderados, junto com portas e janelas fechadas, reduzem o consumo. Como o efeito exato varia com o aparelho, o cômodo e o clima, a forma confiável de medir é estimar as horas efetivas de uso na calculadora de consumo do ar-condicionado.
Geladeira velha faz a conta subir muito?
Faz diferença, mas menos do que a fama sugere. Uma geladeira frost free comum consome em torno de 40 kWh por mês, cerca de R$ 34,00. Uma unidade antiga e menos eficiente pode consumir 60 kWh, cerca de R$ 51,00, e um modelo eficiente pode ficar perto de 30 kWh, cerca de R$ 25,50. A diferença entre a velha e a eficiente fica em torno de R$ 25,50 por mês. É dinheiro real, e ainda assim menor que o chuveiro da mesma casa. O consumo em kWh por mês está na etiqueta do INMETRO.
Acumular roupa para passar de uma vez economiza?
Economiza pouco. Um ferro de 1.200 W usado 8 horas por mês consome 9,6 kWh, cerca de R$ 8,16. Caindo para 5 horas por mês, o consumo vai para 6 kWh, cerca de R$ 5,10. A economia é de aproximadamente R$ 3,06 por mês. O hábito é bom porque evita reaquecer o ferro várias vezes, mas ele não muda uma conta de luz de forma perceptível.
Vale a pena trocar o ar-condicionado por um inverter?
A troca se paga quando o uso é intenso, e a conta é simples de fazer. Suponha um aparelho atual de 1.400 W usado 8 horas por dia, que consome 336 kWh por mês, cerca de R$ 285,60. Se o modelo inverter operar com potência média de 950 W nas mesmas horas, o consumo cai para 228 kWh, cerca de R$ 193,80. A economia fica em torno de R$ 91,80 por mês. Um aparelho de R$ 2.500 se pagaria em cerca de 27 meses nesse cenário. Com uso de poucas horas por dia, o prazo se estica bastante e a troca deixa de compensar.
Como saber quanto cada aparelho da minha casa gasta?
Use a fórmula consumo em kWh = (potência em watts ÷ 1.000) × horas de uso, e multiplique o resultado pela tarifa da sua distribuidora. A potência está na etiqueta do aparelho ou no manual. A calculadora de consumo de energia faz esse cálculo para qualquer equipamento, e há calculadoras específicas para chuveiro e ar-condicionado, que são os dois itens que costumam decidir a conta.
A tarifa branca reduz a conta de luz?
Só reduz se você conseguir tirar consumo do horário de ponta, que é o fim da tarde e o início da noite. A tarifa branca cobra valores diferentes conforme o horário do dia, mais caro na ponta e mais barato fora dela. O problema prático é que o horário de ponta coincide com o horário em que a maioria toma banho e liga o ar. Quem não consegue deslocar esse uso pode acabar pagando mais. A adesão é opcional e feita junto à distribuidora.
A bandeira tarifária muda muito o valor final?
Ela pesa menos que o consumo em si. A bandeira cobra um adicional por 100 kWh consumidos. Num mês de 200 kWh, o adicional da bandeira amarela fica em torno de R$ 3,77, e o da vermelha patamar 2 em torno de R$ 15,75, usando os valores de referência da ANEEL adotados no projeto. Num mês de 450 kWh, esses adicionais sobem para cerca de R$ 8,48 e R$ 35,45. Reduzir o consumo continua sendo o que mais muda a conta, já que a bandeira incide justamente sobre o consumo.