Hubble x James Webb: o mesmo objeto, dois telescópios
45 objetos deste acervo foram fotografados pelos dois. Compare e entenda o que muda.
O Hubble está em órbita desde 1990 e enxerga sobretudo a mesma faixa de luz que seus olhos enxergam, mais um pouco de ultravioleta e de infravermelho próximo. O James Webb entrou em operação em 2022 e foi construído para enxergar calor: infravermelho, em comprimentos de onda várias vezes maiores.
Essa diferença muda o que aparece. A poeira que bloqueia a luz visível deixa a luz infravermelha passar, então uma coluna sólida e escura numa imagem do Hubble pode virar uma nuvem semitransparente cheia de estrelas na imagem do Webb. Nenhuma das duas está errada: elas registram coisas diferentes.
Em cada comparação abaixo, a régua de comprimento de onda mostra exatamente onde cada filtro registrou luz. Os números vêm do metadado publicado pelos próprios observatórios.
Galáxia do SombreroGaláxiaUma galáxia vista quase de perfil, com bojo enorme e uma faixa de poeira cortando o disco, a 30 milhões de anos-luz em Virgem.
Galáxia do RedemoinhoGaláxiaEspiral vista de frente com braços desenhados a régua, deformada pela passagem de uma galáxia companheira que ainda está grudada nela.
Galáxia do CharutoGaláxiaA galáxia vizinha que forma estrelas rápido demais e expulsa gás pelos dois polos, vista de perfil na Ursa Maior.
Galáxia FantasmaGaláxiaUma espiral vista exatamente de frente, tão difusa que ganhou o apelido de Fantasma, e um dos retratos mais detalhados de braços espirais já feitos.
Galáxia Messier 106GaláxiaUma espiral com dois braços a mais que não são feitos de estrelas, e um disco de gás no centro que virou a régua de distância mais confiável da astronomia.
Centaurus AGaláxiaA galáxia ativa mais próxima de nós: um bojo de estrelas velhas rasgado por uma faixa de poeira, com jatos saindo de um buraco negro central.
Galáxia do Cata-vento do SulGaláxiaEspiral barrada vista de frente na Hidra Fêmea, a 15 milhões de anos-luz, campeã em supernovas registradas e alvo preferido dos telescópios do Chile.
Par de galáxias NGC 2207 e IC 2163Galáxias em interaçãoDuas galáxias espirais se atravessando de raspão a 114 milhões de anos-luz, num encontro que deformou os braços das duas sem tê-las fundido ainda.
Arp 142, o Pinguim e o OvoGaláxias em interaçãoDuas galáxias em colisão que o James Webb transformou em pinguim chocando um ovo, a 326 milhões de anos-luz na Hidra Fêmea.
Galáxia Messier 61GaláxiaUma das maiores espirais do aglomerado de Virgem, com um núcleo ativo e um anel de estrelas nascendo em volta dele.
Galáxia espiral barrada NGC 1300Galáxia Seyfert tipo 2O exemplo de manual de galáxia espiral barrada: uma faixa reta de estrelas atravessa o núcleo e os braços saem das pontas dela.
Nebulosa de ÓrionNebulosa de emissãoA maternidade de estrelas mais próxima da Terra, visível a olho nu na espada de Órion e estudada em detalhe há mais de um século.
Pilares da Criação, na Nebulosa da ÁguiaNebulosa de emissãoColunas de gás frio sendo corroídas pela luz de estrelas recém-nascidas, na imagem que definiu o que o Hubble significou para o público.
Nebulosa de CarinaRegião de hidrogênio ionizadoUm dos maiores berçários de estrelas conhecidos, no céu do sul, onde uma estrela instável quase explodiu no século 19 e sobreviveu.
Nebulosa Cabeça de CavaloNebulosa escuraUma nuvem escura de poeira recortada contra gás aceso, em Órion, a 1.400 anos-luz. É silhueta, não brilho próprio.
Nebulosa do CaranguejoRemanescente de supernovaDestroços de uma estrela que explodiu em 1054 e foi registrada por astrônomos chineses, com um pulsar girando 30 vezes por segundo no centro.
Nebulosa Hélix, o Olho de DeusNebulosa planetáriaO que sobra quando uma estrela parecida com o Sol morre: um anel de gás a 700 anos-luz, com milhares de nós apontando para a anã branca central.
Nebulosa da Aranha VermelhaNebulosa planetáriaNebulosa planetária bipolar em Sagitário, com dois lobos de gás moldados por vento e uma das anãs brancas mais quentes já registradas no centro.
Cassiopeia ARemanescente de supernovaOs destroços em expansão de uma estrela massiva que explodiu a 11.000 anos-luz, o remanescente de supernova mais jovem conhecido na Via Láctea.
Nebulosa da TarântulaRegião de formação de estrelasA maior região de formação de estrelas do Grupo Local, tão intensa que se vê de outra galáxia, a 170 mil anos-luz da Terra.
Nebulosa de SerpensNebulosa de reflexãoUma nuvem que brilha por luz refletida a 1.300 anos-luz, onde o Webb flagrou jatos de estrelas recém-nascidas apontando todos para o mesmo lado.
Aglomerado NGC 602Aglomerado de estrelasUm aglomerado jovem numa galáxia vizinha, a 200.000 anos-luz, onde estrelas nascem num ambiente muito pobre em elementos pesados.
Westerlund 1Aglomerado abertoO aglomerado de estrelas mais massivo conhecido na Via Láctea, na constelação do Altar, escondido atrás de uma camada densa de poeira interestelar.
Westerlund 2Aglomerado abertoUm aglomerado jovem e compacto na Quilha, com algumas das estrelas mais massivas já pesadas da Via Láctea, escondido atrás da poeira do disco galáctico.
Aglomerado R136Aglomerado de estrelasO caroço de estrelas gigantes que ilumina a Nebulosa da Tarântula, na Grande Nuvem de Magalhães, onde vivem as estrelas mais massivas conhecidas.
FomalhautEstrela de movimento próprio altoEstrela brilhante do Peixe Austral, a 25 anos-luz, cercada por um anel de detritos que já rendeu um anúncio de planeta e uma retratação.
Centro da Via LácteaRegião do céuA região mais densa da nossa galáxia, a cerca de 27 mil anos-luz em Sagitário, com um buraco negro de quatro milhões de massas solares.
Campo Ultraprofundo do HubbleCampo profundoUm pedaço minúsculo de céu vazio na Fornalha onde o Hubble acumulou luz por semanas e encontrou cerca de dez mil galáxias.
Campo COSMOSCampo profundoUm pedaço de céu deliberadamente vazio de estrelas próximas, escolhido para servir de janela para bilhões de anos de história das galáxias.
Abell 2744, o Aglomerado de PandoraAglomerado de galáxiasPelo menos quatro aglomerados colidindo ao mesmo tempo, num choque que separou a matéria escura do gás quente e virou lente para o universo distante.
Quasar SDSS J1652QuasarUm buraco negro supermassivo em plena atividade, cuja luz partiu de um desvio para o vermelho de 2,94 e chega esticada quase quatro vezes.
Quinteto de StephanGaláxias em interaçãoCinco galáxias no mesmo quadro, das quais apenas quatro estão juntas de verdade: a quinta está muito mais perto e só passa por ali na perspectiva.
Nebulosa do Anel do SulNebulosa planetáriaUma estrela em fase terminal ejetando as próprias camadas externas, num anel de gás a 2.500 anos-luz da Terra, na constelação de Vela.
Aglomerado Abell S1063Aglomerado de galáxiasAglomerado gigante na constelação do Grou, a 4 bilhões de anos-luz, usado como lupa natural pelo James Webb para enxergar o universo jovem.
Aglomerado IC 348Aglomerado abertoAglomerado jovem em Perseu, a 1.000 anos-luz, onde o James Webb foi procurar os objetos de menor massa capazes de se formar como uma estrela.
Galáxia de BarnardGaláxiaA galáxia anã irregular NGC 6822, a 1,5 milhão de anos-luz, uma das que ajudaram a provar que existe universo fora da Via Láctea.
Galáxia NGC 1672GaláxiaUma espiral barrada no Dourado, a 60 milhões de anos-luz, onde a barra central canaliza gás e acende fileiras de berçários estelares nos braços.
Arp 107, o par que sorriGaláxias em interaçãoDuas galáxias em colisão a 465 milhões de anos-luz, cujo desenho lembra um rosto sorrindo, registradas pelo Webb em infravermelho.
UranoPlanetaO planeta que gira deitado, com estações de vinte e um anos e a atmosfera mais fria de todo o Sistema Solar.
Galáxia NGC 1365GaláxiaA grande espiral barrada da Fornalha: uma barra de estrelas que empurra gás para o centro e alimenta um núcleo ativo.
Galáxia Messier 77GaláxiaA galáxia Seyfert mais estudada do céu: o núcleo dela esconde uma fonte que só aparece por luz espalhada, atrás de um toro de poeira.
Galáxia Roda de CarroçaGaláxiaUma galáxia atravessada quase de frente por outra: o choque disparou uma onda de formação estelar que corre para fora e desenhou o anel.
Galáxia NGC 1512GaláxiaUma espiral barrada com dois anéis, engolindo uma galáxia anã há 400 milhões de anos. A barra é o que leva gás ao centro e acende estrelas.
Galáxia Messier 66GaláxiaA maior do Trio do Leão tem braços tortos e o núcleo fora do lugar. As vizinhas puxaram, e a galáxia ficou com a marca do encontro.
Galáxia NGC 1433GaláxiaUma espiral barrada com dois anéis e um buraco negro ativo no meio. O ALMA achou ali uma segunda espiral, pequena, que ninguém esperava.
Créditos das imagens desta página
Todas as imagens deste acervo são publicadas sob licença Creative Commons Attribution 4.0 pelos observatórios que as produziram, e o crédito exigido por cada uma vem abaixo, na íntegra.
- Galáxia do Sombrero
Crédito ESA/Hubble & NASA, K. Noll ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Redemoinho
Crédito NASA, ESA, S. Beckwith (STScI), and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia do Charuto
Crédito NASA, ESA, CSA, A. Smercina (STScI), T. Williams (University of Manchester). Image processing: A. Pagan (STScI). ESA/Webb CC BY 4.0
- Galáxia Fantasma
Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, A. Adamo (Stockholm University) and the FEAST JWST team ESA/Webb CC BY 4.0
- Galáxia Messier 106
Crédito KPNO/NOIRLab/NSF/AURAAcknowledgment: PI: M.T. Patterson (New Mexico State University)Image processing: T.A. Rector (University of Alaska Anchorage), M. Zamani & D. de Martin NOIRLab CC BY 4.0
- Centaurus A
- Galáxia do Cata-vento do Sul
Crédito CTIO/NOIRLab/DOE/NSF/AURAImage processing: T.A. Rector (University of Alaska Anchorage/NSF NOIRLab), D. de Martin (NSF NOIRLab) & M. Zamani (NSF NOIRLab) NOIRLab CC BY 4.0
- Par de galáxias NGC 2207 e IC 2163
Crédito NASA, ESA, CSA, STScI ESA/Hubble CC BY 4.0
- Arp 142, o Pinguim e o Ovo
- Galáxia Messier 61
- Galáxia espiral barrada NGC 1300
- Nebulosa de Órion
- Pilares da Criação, na Nebulosa da Águia
Crédito ESO/Digitized Sky Survey 2. Acknowledgment: Davide De Martin. ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa de Carina
Crédito NASA, ESA, N. Smith (University of California, Berkeley), and The Hubble Heritage Team (STScI/AURA) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa Cabeça de Cavalo
Crédito NASA, ESA, and the Hubble Heritage Team (AURA/STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa do Caranguejo
Crédito NASA, ESA and Allison Loll/Jeff Hester (Arizona State University). Acknowledgement: Davide De Martin (ESA/Hubble) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa Hélix, o Olho de Deus
Crédito NASA, NOAO, ESA, the Hubble Helix Nebula Team, M. Meixner (STScI), and T.A. Rector (NRAO). ESA/Hubble CC BY 4.0
- Nebulosa da Aranha Vermelha
Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, J. H. Kastner (Rochester Institute of Technology) ESA/Webb CC BY 4.0
- Cassiopeia A
Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, D. Milisavljevic (Purdue University), T. Temim (Princeton University), I. De Looze (University of Gent) ESA/Webb CC BY 4.0
- Nebulosa da Tarântula
- Nebulosa de Serpens
Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, K. Pontoppidan (NASA’s Jet Propulsion Laboratory), J. Green (Space Telescope Science Institute) ESA/Webb CC BY 4.0
- Aglomerado NGC 602
Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, P. Zeidler, E. Sabbi, A. Nota, M. Zamani (ESA/Webb) ESA/Webb CC BY 4.0
- Westerlund 1
Crédito ESA/Webb, NASA & CSA, M. Zamani (ESA/Webb), M. G. Guarcello (INAF-OAPA) and the EWOCS team ESA/Webb CC BY 4.0
- Westerlund 2
Crédito NASA, ESA, the Hubble Heritage Team (STScI/AURA), A. Nota (ESA/STScI), and the Westerlund 2 Science Team ESA/Hubble CC BY 4.0
- Aglomerado R136
- Fomalhaut
Crédito NASA, ESA, P. Kalas (UC Berkeley), J. DePasquale (STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Centro da Via Láctea
Crédito NASA, ESA, and the Hubble Heritage Team (STScI/AURA) Acknowledgment: NASA, ESA, T. Do and A. Ghez (UCLA), and V. Bajaj (STScI) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Campo Ultraprofundo do Hubble
Crédito NASA, ESA, and S. Beckwith (STScI) and the HUDF Team ESA/Hubble CC BY 4.0
- Campo COSMOS
Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, R. Naidu (MIT), Image Processing: J. DePasquale (STScI) ESA/Webb CC BY 4.0
- Abell 2744, o Aglomerado de Pandora
Crédito NASA, ESA, ESO, CXC, and D. Coe (STScI)/J. Merten (Heidelberg/Bologna) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Quasar SDSS J1652
- Quinteto de Stephan
- Nebulosa do Anel do Sul
Crédito Hubble Heritage Team (STScI/AURA/NASA/ESA) ESA/Hubble CC BY 4.0
- Aglomerado Abell S1063
Crédito NASA, ESA, Digitized Sky Survey 2 Acknowledgement: Davide De Martin ESA/Hubble CC BY 4.0
- Aglomerado IC 348
Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, and K. Luhman (Penn State University) and C. Alves de Oliveira (European Space Agency) ESA/Webb CC BY 4.0
- Galáxia de Barnard
Crédito CTIO/NOIRLab/NSF/AURA Acknowledgments: P. Massey (Lowell Obs.), G. Jacoby, K. Olsen, C. Smith (NOAO/AURA/NSF) & T.A. Rector (NRAO/AUI/NSF). Image processing: Travis Rector (University of Alaska Anchorage), Mahdi Zamani & Davide de Martin NOIRLab CC BY 4.0
- Galáxia NGC 1672
Crédito Dark Energy Survey/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURAImage processing: T.A. Rector (University of Alaska Anchorage/NSF NOIRLab), J. Miller (Gemini Observatory/NSF NOIRLab), M. Zamani & D. de Martin (NSF NOIRLab) NOIRLab CC BY 4.0
- Arp 107, o par que sorri
Crédito ESA/Hubble & NASA, J. Dalcanton, Dark Energy Survey/DOE/FNAL/NOIRLab/NSF/AURA, SDSS ESA/Hubble CC BY 4.0
- Urano
Crédito NASA, ESA, CSA, STScI, J. DePasquale (STScI) ESA/Webb CC BY 4.0
- Galáxia NGC 1365
Crédito Dark Energy Survey/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURAImage processing: Travis Rector (University of Alaska Anchorage/NSF NOIRLab), Jen Miller (Gemini Observatory/NSF NOIRLab), Mahdi Zamani & Davide de Martin (NSF NOIRLab) NOIRLab CC BY 4.0
- Galáxia Messier 77
- Galáxia Roda de Carroça
- Galáxia NGC 1512
Crédito ESA/Hubble, NASA ESA/Hubble CC BY 4.0
- Galáxia Messier 66
Crédito ESO/INAF-VST/OmegaCAM. Acknowledgement: OmegaCen/Astro-WISE/Kapteyn Institute ESO CC BY 4.0
- Galáxia NGC 1433
Crédito NASA, ESA, CSA, and J. Lee (NOIRLab), A. Pagan (STScI) ESA/Webb CC BY 4.0
Fontes oficiais
- ESA/Hubble: Condições de uso das imagens do Hubble: licença Creative Commons Attribution 4.0, que permite uso comercial desde que o crédito completo apareça visível e com link ativo.
- ESA/Webb: Mesmas condições para as imagens do James Webb, com o crédito exigido informado imagem por imagem no metadado.
- ESO, Observatório Europeu do Sul: Condições de uso das imagens dos telescópios do ESO no Chile, também sob Creative Commons Attribution 4.0.
- SIMBAD, Centro de Dados Astronômicos de Estrasburgo: Identificação canônica de cada objeto, tipo, coordenadas equatoriais e tamanho aparente. Base operada pelo Observatório Astronômico de Estrasburgo, França.
- Fronteiras das constelações da IAU (Roman 1987): Tabela oficial de fronteiras que define em que constelação cai cada coordenada, usada aqui após precessão para o equinócio B1875,0.
- Astronomy Visualization Metadata (AVM): Padrão que define os campos de comprimento de onda, cor atribuída, escala e coordenada que este acervo lê de cada imagem.
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Como citar esta página
ValorFinal. Hubble x James Webb. Disponível em: https://valorfinal.com.br/astronomia/universo/hubble-x-webb. Consultado em: 23/08/2026.