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Brasileirão
Série A 2026Modelo 1.2.0Auditoria

Desempenho do Modelo ValorFinal: o quanto ele acerta

Todas as partidas já disputadas do Brasileirão 2026, previstas com o que se sabia antes de cada uma delas, medidas pelas mesmas métricas que a literatura de previsão esportiva usa e comparadas com duas referências simples.

Atualizado após a 30ª rodada · números de 15/10/2026 às 20:30 · fonte conferida a cada 30 minutos

O resumo

RPS do modelo0,2148menor é melhor
Brier multiclasse0,6285menor é melhor
Log loss1,0452menor é melhor
Acerto do favorito48,6%a medida menos informativa
Partidas na conta24950 de aquecimento fora

Como a avaliação é feita

Cada partida já disputada é prevista com a informação que existia antes dela. As forças dos clubes são reconstruídas jogo a jogo, e a força só é atualizada depois que a partida daquele instante foi prevista. Partidas com o mesmo horário são previstas em bloco pelo mesmo motivo: quem olhasse para a rodada antes dela começar não conhecia nenhum dos resultados.

Nenhuma informação do futuro entra na conta. É esse cuidado que separa uma avaliação de um exercício de memória, e ele é fácil de perder sem perceber: bastaria usar o primeiro jogo de um domingo para prever o segundo.

As primeiras rodadas ficam de fora do resultado principal. O modelo começa a temporada tratando todos os clubes como iguais, então uma previsão feita na segunda rodada não mede o modelo, mede a ausência de informação. A avaliação começa na 6ª rodada.

O modelo contra as referências

Um número solto não diz se um modelo é bom. Duas referências entram na comparação, e as duas são deliberadamente simples.

O palpite cego dá 33,3% para cada desfecho e não sabe nada. Ganhar dele é o mínimo absoluto. A taxa média da temporada aplica a todos os jogos a frequência com que mandante venceu, empatou e perdeu no campeonato inteiro, que nesta temporada foi de 47,5%, 28,1% e 24,4%. Essa referência é injusta a favor dela: ela já conhece o resultado agregado da temporada, coisa que o modelo não conhece enquanto ela acontece. Está aqui de propósito, para não deixar o modelo parecer melhor do que é.

PrevisorRPSBrierLog lossAcertoGanho em RPS
Modelo ValorFinal 0,2148 0,6285 1,0452 48,6% +7,5%
Taxa média da temporada 0,2183 0,6351 1,0537 47,8% +6,0%
Palpite cego (33,3% cada) 0,2323 0,6667 1,0986 não se aplica -

O ganho em RPS é a redução do erro em relação ao palpite cego. Nas três medidas de probabilidade, menor é melhor. A coluna de acerto fica em branco para o palpite cego de propósito: com os três desfechos na mesma probabilidade não existe favorito, e qualquer número ali seria consequência do critério que desempata o topo, e não do previsor. Publicado com o desempate implícito, esse número dava 47,1%, que é a frequência de vitória do mandante nesta temporada, e não uma medida do palpite cego.

A leitura honesta desta tabela: o modelo ganha com folga do palpite cego e ganha por pouco da taxa média da temporada. Em outras palavras, saber quem está jogando acrescenta menos do que a intuição sugere num campeonato equilibrado como o Brasileirão, em que o mando de campo explica boa parte do que acontece. Isso não é defeito de implementação, é característica da competição, e vale dizer em voz alta em vez de esconder atrás de um número grande de simulações.

Calibração: a probabilidade quer dizer o que ela diz?

Esta é a pergunta que mais importa para quem vai citar o número. As previsões são agrupadas por faixa de probabilidade, e cada faixa compara o que foi previsto com o que de fato aconteceu.

Calibração do Modelo ValorFinal 0%0%25%25%50%50%75%75%100%100% probabilidade prevista
Cada bola é uma faixa de probabilidade, e o tamanho dela é a quantidade de previsões que caíram ali. A linha tracejada é a calibração perfeita: bola em cima da linha quer dizer que o que foi previsto aconteceu na mesma proporção.
FaixaPrevisõesMédia previstaFrequência observadaDiferença
10% a 20% 2 18,4% 0,0% -18,4
20% a 30% 330 25,7% 23,3% -2,4
30% a 40% 234 35,1% 35,5% +0,4
40% a 50% 159 43,9% 47,8% +3,9
50% a 60% 21 53,2% 57,1% +3,9
60% a 70% 1 61,3% 100,0% +38,7

Cada partida entra três vezes, uma por desfecho possível, porque cada uma das três probabilidades é uma afirmação que pode ser conferida. Faixas com poucas previsões oscilam muito e não devem ser lidas isoladamente.

O que a tabela mostra, além da calibração em si, é que as probabilidades deste modelo são concentradas: quase tudo cai entre 20% e 50%, e previsões acima de 60% são raras. Isso tem uma causa direta. O rating separa os clubes por menos do que a intuição espera, porque ele só usa os resultados desta temporada e o Brasileirão é equilibrado. Um modelo mais confiante acertaria mais quando estivesse certo e erraria mais feio quando estivesse errado, e a seção seguinte explica por que essa troca ainda não foi feita.

Por que o modelo não foi ajustado, mesmo com um ajuste à vista

Uma varredura de parâmetros foi feita sobre esta temporada, variando a velocidade de ajuste do rating, o peso do mando de campo e a sensibilidade da conversão de força em gols. Oitenta configurações entraram, e a melhor delas reduziu o RPS de 0,2148 para algo em torno de 0,212, uma melhora de aproximadamente 2%.

Essa melhora não foi adotada, e a razão é metodológica. No teste pareado partida a partida, a diferença ficou em torno de 1,5 desvio padrão do erro, o que não passa em nenhum critério razoável de significância, e a configuração vencedora melhorou o resultado em pouco mais da metade das partidas, praticamente um cara ou coroa. Além disso, escolher o melhor entre oitenta candidatos sobre a mesma amostra que serviu para medir é a definição de ajuste ao passado: a melhora esperada por puro acaso, nessas condições, é da ordem da melhora encontrada.

O que seria preciso para um backtest de verdade

Medir um modelo na mesma temporada em que ele foi ajustado tem um teto baixo, e é por isso que a mudança acima não foi adotada. O teste que resolveria a questão é simples de enunciar: estimar os parâmetros num conjunto de temporadas e medir o erro em outro, sem que nenhuma partida do conjunto de medição tenha participado do ajuste.

Fazer isso exige o que ainda não temos em mãos: o calendário e os placares de temporadas anteriores, com data e mando, em formato reprocessável. A fonte que alimenta este cluster serve a temporada corrente, e as temporadas fechadas não estão no acervo versionado do projeto. Enquanto elas não estiverem, qualquer "backtest" que fizéssemos seria a mesma amostra medida duas vezes, o que não é backtest.

O caminho, em ordem: versionar o histórico de duas ou três temporadas fechadas; refazer a avaliação usando uma delas para estimar e as outras para medir; e só então decidir sobre qualquer ajuste. Até lá, o modelo publicado é o mesmo desde a primeira versão nesse aspecto, e a página continua mostrando o quanto ele ganha do palpite cego e o quão pouco ele ganha da taxa média da temporada. A segunda comparação é a desconfortável, e é justamente por isso que ela está aqui.

A conclusão é que a direção sugerida pela varredura, um modelo um pouco mais confiante, é plausível e coerente com a concentração observada na calibração, mas uma temporada com 249 partidas avaliáveis não sustenta a mudança. A reavaliação será feita com a temporada fechada e, principalmente, com mais de uma temporada, quando o ajuste puder ser estimado num período e testado em outro. Se a evidência aparecer, a versão do modelo sobe e a mudança fica registrada na metodologia.

Este parágrafo existe para ser lido por quem desconfia. Um produto que mostra apenas os números que o favorecem não merece ser citado como fonte.

Desempenho por fase do campeonato

O modelo não é igualmente bom o ano inteiro. No começo, o rating ainda não separou os clubes; no fim, times já classificados ou já rebaixados jogam de um jeito que nenhum resultado passado explica.

TrechoPartidasRPSBrierLog lossAcerto
Rodadas 6 a 14 90 0,2227 0,6305 1,0467 48,9%
Rodadas 15 a 23 89 0,2117 0,6488 1,0746 46,1%
Rodadas 24 a 30 70 0,2084 0,6001 1,0060 51,4%

Trechos com poucas dezenas de partidas variam bastante. A tabela serve para mostrar a tendência, não para comparar um trecho com o outro casa decimal a casa decimal.

ValorFinal, UFMG e Chance de Gol: o que muda no método

Três modelos públicos publicam a chance de título e de rebaixamento do Brasileirão, e os números deles não coincidem. Não é defeito de nenhum dos três: cada um escolheu uma forma diferente de medir a força dos clubes, e essas escolhas levam a percentuais diferentes para o mesmo campeonato. A comparação abaixo traz só o que cada projeto descreve na própria página de metodologia. Onde a página não diz, o texto diz que não diz. Os números deles não são reproduzidos aqui: para ver as chances de cada projeto, o caminho é o site de cada um.

Quem mantém

De onde sai a força de cada clube

Mando de campo

Chance de cada jogo

Campeonatos simulados

Quando o número vira certeza

A diferença que mais pesa é a janela de dados. Um modelo que olha só a temporada corrente reage mais ao que está acontecendo agora e sabe menos no começo do campeonato; um que olha doze meses e outras competições chega ao começo da temporada sabendo mais e muda mais devagar. Nenhuma das duas escolhas é certa em todos os momentos, e é por isso que vale conferir mais de um modelo antes de tratar um percentual como fato.

Fontes: metodologia do projeto Probabilidades no Futebol, da UFMG, introdução e cálculo das probabilidades do Chance de Gol, consultadas em 22/09/2026. A metodologia do Modelo ValorFinal descreve o nosso método por inteiro.

O que ainda não é medido

As probabilidades de título, de Libertadores e de rebaixamento não aparecem nesta página, e isso é intencional. Elas só podem ser avaliadas com temporadas terminadas, porque uma probabilidade publicada na 25ª rodada só vira acerto ou erro quando a 38ª acontece. Uma temporada inteira dá vinte observações, uma por clube, e vinte observações não fecham uma curva de calibração.

O arquivo de fotografias por rodada existe exatamente para tornar essa medição possível. A partir do fim desta temporada, cada fotografia arquivada vira um par de previsão e desfecho, e a avaliação das probabilidades de temporada será publicada aqui com o mesmo tratamento: métrica, referência e limitação declarada.

Também não é medido o erro da projeção de pontos e de posição final, pelo mesmo motivo. Ele será, com o campeonato fechado, comparando a pontuação projetada em cada rodada com a pontuação real do fim.

Estimativa, não previsão. Ferramenta matemática e educativa, sem relação com apostas. Percentuais com uma casa decimal. Estimativa nunca aparece como 0% ou 100%: o teto é 99,9% e o piso é menos de 0,1%, e só o que está matematicamente definido pela conta dos pontos aparece como 0% ou 100%, dito por extenso. Como validamos os cálculos.

Como citar

Fonte: Modelo ValorFinal 1.2.0 - Campeonato Brasileiro Série A 2026, avaliação do modelo, dados após a 30ª rodada. Fotografia 2026.R30.231da24f-299.m1.2.0, calculada em 15/10/2026 às 20:37. https://valorfinal.com.br/brasileirao/fotografia/2026.R30.231da24f-299.m1.2.0

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Perguntas frequentes

O que é o RPS e por que ele é a medida principal?

RPS quer dizer ranked probability score, e é a medida padrão para previsões de futebol. Ela leva em conta que os três desfechos são ordenados: vitória do mandante, empate, vitória do visitante. Errar prevendo empate quando deu vitória do visitante custa menos do que errar prevendo vitória do mandante, porque a distância entre a previsão e o que aconteceu é menor. Zero é a previsão perfeita, e quanto mais alto pior. É a medida usada na literatura acadêmica de previsão esportiva justamente por respeitar essa ordem.

Por que a taxa de acerto não é a medida principal?

Porque ela é a mais fácil de enganar. Um modelo que dissesse sempre vitória do mandante acertaria perto de 47% dos jogos do Brasileirão, sem saber nada sobre os clubes. Taxa de acerto ignora completamente a confiança: prever 90% e acertar vale o mesmo que prever 34% e acertar. As medidas de probabilidade, RPS, Brier e log loss, olham para o número inteiro e é por isso que elas mandam aqui.

O que significa uma boa calibração?

Significa que a probabilidade quer dizer o que ela diz. Se pegarmos todos os jogos em que o modelo previu algo entre 30% e 40%, aquele desfecho tem que ter acontecido em algo perto de 35% deles. Quando isso vale em todas as faixas, o número é utilizável: dá para somar, comparar e citar. Quando não vale, o modelo pode até acertar muitos jogos e ainda assim estar dizendo uma coisa por outra.

Vocês vão mudar o modelo para melhorar essas medidas?

Só com evidência. Uma varredura de parâmetros feita nesta temporada apontou uma configuração ligeiramente melhor, e a diferença não passou no teste estatístico pareado: ela cabe dentro do ruído de uma amostra de 249 partidas escolhida entre dezenas de configurações. Mudar o método com base nisso seria ajustar o modelo ao passado. A reavaliação acontece com a temporada fechada e com mais de uma temporada em mãos.

Por que as rodadas iniciais ficam de fora da conta?

Porque nas primeiras rodadas todos os clubes ainda têm praticamente a mesma força no modelo, que começa a temporada tratando todo mundo igual. Uma previsão feita ali não mede o modelo, mede a falta de informação. A avaliação começa na 6ª rodada, e 50 partidas anteriores ficaram de fora. A tabela por fase do campeonato mostra que o desempenho não é uniforme ao longo do ano.

As probabilidades de título e rebaixamento também são avaliadas?

Ainda não, e a razão é honesta: elas só podem ser avaliadas com temporadas terminadas. Uma probabilidade de rebaixamento publicada na 25ª rodada só vira acerto ou erro quando a 38ª acontece, e uma temporada dá uma única observação por clube. O arquivo de fotografias por rodada existe para tornar essa avaliação possível a partir do fim desta temporada, e ela será publicada nesta mesma página quando houver o que medir.

Fotografia 2026.R30.231da24f-299.m1.2.0Modelo ValorFinal 1.2.0Amostra 20.000 campeonatosNúmeros de 15/10/2026 às 20:30, a última leitura da fonteSimulação calculada em 15/10/2026 às 20:37, sobre essa leitura Metodologia · Dados abertos